As baleias-brancas, também chamadas de belugas (Delphinapterus leucas), vivem em regiões onde a observação direta é um desafio constante para os cientistas.
Por isso, ainda se sabe pouco sobre como escolhem parceiros, disputam atenção ou cuidam dos filhotes em seu habitat natural. Isso começa a mudar agora.
Um estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science em 20 de janeiro de 2026 revela como essas baleias atravessam longos períodos com sucesso, adotando uma estratégia inesperada: o acasalamento com vários parceiros ao longo de anos consecutivos.
Por sinal, essas criaturas são tão curiosas que até nomearam um avião, que pousou pela primeira vez no Brasil em julho de 2022.
Como o estudo foi feito
Ao longo de mais de 13 anos, cientistas analisaram material genético de 623 belugas da Baía de Bristol, no Alasca, além de registrar a idade dos animais e a maneira como se organizavam socialmente.
O grupo estudado reúne cerca de 2 mil indivíduos e apresenta pouquíssimo contato com outras populações, condição rara que permitiu observar sua dinâmica sem grandes interferências externas.
Considerando a longevidade da espécie, entre 35 e 50 anos, os pesquisadores direcionaram a análise para períodos mais curtos de reprodução, observando padrões que surgem dentro de uma ou poucas temporadas.
A investigação buscou esclarecer se a reprodução ficava concentrada em poucos machos, se havia múltiplos parceiros apenas entre as fêmeas ou se a troca ocorria entre todos os indivíduos.
Trocas constantes e diversidade genética
Os resultados indicam um sistema no qual machos e fêmeas se relacionam com diferentes parceiros ao longo de vários anos, caracterizando um modelo poliginândrico.
Esse padrão faz com que os vínculos familiares sejam amplos, com um número elevado de meio-irmãos em comparação aos irmãos de mesma mãe e pai.
Enquanto os machos distribuem sua reprodução ao longo do tempo, as fêmeas demonstram preferência por parceiros que aumentam a variabilidade genética da prole em populações pequenas.
De acordo com os autores, esse comportamento reduz o risco de cruzamentos entre parentes próximos e ajuda a preservar a diversidade genética em uma população pequena e isolada.
Suposições antigas colocadas em xeque
A descoberta desafia conceitos antigos sobre como os mamíferos marinhos se comportam no habitat natural.
Segundo o professor de evolução e comportamento animal da FAU, Greg O’Corry-Crowe, “Isso subverte todas as nossas antigas suposições sobre essa espécie do Ártico”, disse, em um comunicado à imprensa
Para ele, os dados mostram que o sucesso reprodutivo não depende apenas da competição masculina, mas também das decisões tomadas pelas fêmeas.
“Essas estratégias evidenciam as maneiras sutis, porém poderosas, pelas quais as fêmeas exercem controle sobre a próxima geração e o rumo evolutivo da espécie”, completou O’Corry-Crowe.
Em outras espécies marinhas, cientistas também registraram comportamentos reprodutivos fora do padrão, como em um acasalamento entre três tubarões observado no oceano Pacífico.
Perguntas frequentes
1. Quando e onde o estudo foi publicado?
Na revista Frontiers in Marine Science, em 20 de janeiro de 2026.
2. Onde foi feita a pesquisa e qual era a condição da população estudada?
Na Baía de Bristol, no Alasca, em um grupo com pouco contato com outras populações.
3. Quanto tempo durou o acompanhamento e quantos animais foram analisados?
Mais de 13 anos, com análise genética de 623 belugas.
4. Qual padrão de reprodução foi identificado pelos pesquisadores?
Um modelo poliginândrico, com machos e fêmeas trocando de parceiros ao longo de vários anos.
5. Qual a explicação apontada para a vantagem desse comportamento?
Ele reduz o risco de cruzamentos entre parentes próximos e ajuda a preservar a diversidade genética em uma população pequena e isolada.


