Comer em louças antigas pode ser perigoso por contaminação de chumbo; entenda como se prevenir

Utensílios de cozinha antigos podem liberar chumbo do esmalte e contaminar suas refeições

Utensílios de mesa vintage carregam beleza e valor estético, mas nem sempre são os mais indicados para o consumo cotidiano

Utensílios de mesa vintage carregam beleza e valor estético, mas nem sempre são os mais indicados para o consumo cotidiano | Freepik

Aqueles pratos, xícaras e demais utensílios de cozinha vintage encontrados em feiras de antiguidade chamam atenção pela estética e pelo apelo nostálgico. Muitas dessas peças têm preços acessíveis e despertam interesse justamente por carregarem história e detalhes que já não são comuns na produção atual.

Sejam flores pintadas à mão ou um elegante conjunto de jantar antigo, as louças vintage conferem um toque especial à mesa e ajudam a criar uma atmosfera diferenciada nas refeições. O visual agrada aos olhos e costuma remeter a outras épocas, o que explica o aumento da procura por esse tipo de item.

No entanto, existe um perigo pouco comentado nessas louças: o chumbo. Embora não seja visível a olho nu, ele pode estar presente em partes específicas das peças e representar riscos à saúde quando ocorre o uso frequente.

Por que uma substância como o chumbo é tão perigosa?

Nesses utensílios, o chumbo não está necessariamente no material do prato ou da xícara, mas pode estar presente nas pinturas aplicadas sob a louça, no chamado esmalte, que é a camada vítrea responsável pelo brilho e pelas cores da peça.

No passado, o chumbo era usado porque facilitava o manejo do esmalte e fazia com que as cores se destacassem mais facilmente, deixando a louça brilhosa. A principal preocupação não é apenas se o chumbo está presente, mas quanto dele pode ser liberado.

Em determinadas condições, como contato com alimentos quentes ou ácidos, pequenas quantidades da substância podem se desprender e entrar em contato direto com as refeições, contaminando o alimento preparado, assim como ocorre com recipientes inadequados e o risco de contaminação de utensílios na cozinha, .

O portal alemão AGES alerta que metais pesados como chumbo, arsênio e níquel podem se desprender de materiais e contaminar os alimentos apenas pelo contato, o que aumenta o risco de ingestão ao longo do tempo.

Quais são os tipos de louça mais arriscados

É importante considerar que o chumbo permanece no corpo por longos períodos. Dessa forma, a exposição gradual e prolongada se torna ainda mais perigosa, mesmo quando ocorre em pequenas quantidades. Com a ingestão crônica, diversos sistemas do organismo podem ser afetados, incluindo o sistema nervoso central.

Por isso, peças cuja idade ou procedência são desconhecidas devem ser evitadas para o uso diário. Isso inclui artigos adquiridos em feiras de antiguidade ou brechós, além de pratos, xícaras ou tigelas herdados que não possuam identificação do fabricante. Mesmo que as peças sejam higienizadas de maneira correta, o risco de contaminação ainda existe.

Afinal, essas louças devem ser evitadas em todos os casos?

Utensílios de mesa vintage carregam beleza e valor estético, mas nem sempre são os mais indicados para o consumo cotidiano. O uso frequente pode aumentar a exposição aos metais presentes no esmalte.

Existem testes caseiros para identificar a presença de chumbo nas louças, porém muitos deles não são totalmente confiáveis. Para quem busca mais segurança na cozinha, uma boa prática é seguir recomendações de uso seguro de utensílios e recipientes e optar por peças modernas testadas em laboratório.

Uma alternativa é utilizar as louças vintage adquiridas em feiras de antiguidade e brechos apenas como itens decorativos, preservando sua beleza e história sem colocar a saúde em risco, assim como garantir a preservação dos seus itens para que continuem sempre bonitos e funcionais.