A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha de perto os novos casos do vírus Nipah na Índia, uma infecção rara e altamente letal que pode provocar inflamação no cérebro, dificuldade respiratória e levar à morte em até 75% dos pacientes.
O surto do vírus colocou autoridades de saúde da Índia em estado de atenção nas últimas semanas. Pelo menos cinco casos foram confirmados no estado de Bengala Ocidental, incluindo infecções em profissionais de saúde, o que levantou preocupações sobre a transmissão em ambiente hospitalar.
Dois enfermeiros contaminados seguem internados e isolados, enquanto autoridades de saúde monitoram possíveis sinais de transmissão comunitária.
Vai chegar no Brasil?
Apesar da gravidade dos sintomas, a OMS afirmou nesta sexta-feira (30/1) que o risco de disseminação global do vírus é considerado baixo. Segundo a organização, nenhuma das cerca de 190 pessoas que tiveram contato direto com os profissionais de saúde infectados apresentou sintomas ou testou positivo até o momento.
Os casos confirmados levaram mais de 100 pessoas à quarentena preventiva na Índia. Ainda assim, a OMS não recomenda restrições a viagens ou ao comércio internacional. Países do Sudeste Asiático, como Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã, reforçaram protocolos de vigilância sanitária após a confirmação das infecções.
A organização aguarda a divulgação do sequenciamento genético do vírus pelas autoridades indianas para verificar a existência de mutações. Segundo a OMS, até agora não há indícios que indiquem uma mudança no comportamento do patógeno.
Sintomas
O vírus Nipah é transmitido por morcegos frugívoros e porcos e pode passar de pessoa para pessoa. A infecção costuma evoluir rapidamente, atingindo principalmente os sistemas neurológico e respiratório.
Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta
- Dor de cabeça intensa e confusão mental
- Tosse e dificuldade para respirar
- Fadiga extrema e calafrios
- Vômitos e diarreia
- Tontura
- Encefalite (inflamação do cérebro)
- Convulsões e coma, nos casos mais graves
De acordo com a OMS, a taxa de letalidade varia entre 40% e 75%. Sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes.
Como é transmitido
A transmissão também pode ocorrer por meio do consumo de frutas e bebidas contaminadas por saliva ou urina de morcegos, como a seiva de tamareira. Não há vacina nem tratamento específico aprovado, até o momento o cuidado médico se baseia em suporte intensivo e controle dos sintomas.
Este é o sétimo surto do vírus Nipah registrado na Índia desde 2001 e o terceiro no estado de Bengala Ocidental, onde a presença de morcegos frugívoros mantém o risco em nível moderado. O episódio mais grave ocorreu em 2018, quando 17 das 18 pessoas infectadas morreram.
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o vírus Nipah segue sendo monitorado como uma das ameaças emergentes com potencial de alto impacto na saúde pública global.
