Ilha brasileira abriga o mamífero mais raro do mundo

Atualmente, a população é extremamente reduzida, estimada entre 40 e 60 indivíduos

O preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia) é considerado o mamífero com a menor distribuição geográfica do mundo

O preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia) é considerado o mamífero com a menor distribuição geográfica do mundo | Carlos H Salvador/Wikimedia Commons

Distante cerca de oito quilômetros da costa de Florianópolis, em Santa Catarina, um pequeno roedor que não existe em nenhum outro lugar do planeta luta pela sobrevivência em um território de apenas 10 hectares.

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O preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia) é considerado o mamífero com a menor distribuição geográfica do mundo, vivendo isolado em uma única ilha do arquipélago que lhe dá nome.

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Um sobrevivente de 8 mil anos

A existência exclusiva desta espécie em Santa Catarina é explicada por um processo geológico iniciado há cerca de 8 mil anos. Com a elevação do nível do mar, o que antes eram topos de morros ligados ao continente tornaram-se ilhas, isolando populações de preás.

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Esse isolamento prolongado resultou em um processo de especiação, criando uma espécie única que, visualmente, lembra um porquinho-da-índia.

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A ciência só confirmou a existência do animal nos anos 1980, por acaso, durante uma expedição que buscava, originalmente, estudar aves marinhas. O achado ocorreu após uma pesquisadora identificar ossadas com dimensões diferentes das espécies continentais.

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Atualmente, a população é extremamente reduzida, estimada entre 40 e 60 indivíduos. De acordo com biólogos, esse número é considerado alarmante para qualquer espécie de mamífero, e a sobrevivência do grupo depende diretamente da estabilidade do pequeno ecossistema da ilha.

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Visitação é proibida

Apesar da curiosidade que desperta, o arquipélago de Moleques do Sul é uma zona intangível do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e o desembarque de pessoas é estritamente proibido.

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O preá-de-Moleques-do-Sul não possui predadores naturais, mas é extremamente vulnerável a interferências externas.

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A introdução acidental de sementes, vírus ou bactérias por visitantes pode ser fatal para o sistema imunológico desses animais.

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Além disso, o risco de incêndios e o pisoteio de ninhos de aves marinhas, que nidificam no chão da ilha, são ameaças constantes que justificam a fiscalização rigorosa feita pela Polícia Militar Ambiental e pela Marinha.

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No litoral paulista, uma ilha cheia de serpentes também tem a visitação proibida.

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Esforços de conservação

Classificado como criticamente em perigo em níveis global, nacional e estadual, o preá figura entre os 20 pequenos mamíferos mais ameaçados do planeta.

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Para garantir que a espécie não desapareça, o governo de Santa Catarina mantém o Plano Estadual de Conservação do Preá-de-Moleques-do-Sul, focado em pesquisa científica, fiscalização e proteção integral do habitat.

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Se essa espécie se extinguir, o dano será irreversível, pois não há possibilidade de recuperação em nenhum outro lugar do mundo.