Guilherme Mello no BC: o estrategista do PT que pode dar o tom da política monetária em 2026

Mello se tornou o principal ideólogo econômico do governo e a aposta de Lula para 'oxigenar' o Banco Central

O Pensador da 'Nova Economia' Guilherme Mello é possível aposta de Lula para o BC

O Pensador da 'Nova Economia' Guilherme Mello é possível aposta de Lula para o BC | Edu Andrade/Ascom/MF

Enquanto Dario Durigan se consolida como o fiador da gestão na Fazenda, outro nome ganha tração nos bastidores de Brasília para ocupar uma cadeira estratégica no Banco Central: Guilherme Mello.

Atual Secretário de Política Econômica, Mello não é apenas um técnico; ele é o principal formulador do pensamento econômico do PT e um dos conselheiros mais ouvidos pelo presidente Lula quando o assunto é o binômio “juros e crescimento”.

Se o nome for confirmado por Lula, a indicação ainda precisará passar por sabatina e votação no Senado.

O Pensador da ‘Nova Economia’

Professor da Unicamp de 42 anos, e com trânsito livre nos principais think tanks progressistas, Guilherme Mello representa o contraponto intelectual ao rigor ortodoxo.

No Ministério da Fazenda, ele foi um dos arquitetos do Novo Arcabouço Fiscal, trabalhando para garantir que as regras de controle de gastos não asfixiassem a capacidade de investimento do Estado.

Diferente de perfis que vieram do mercado financeiro, Mello traz para o debate a visão de que o Banco Central deve olhar para além da meta de inflação, focando também no pleno emprego e na estabilidade da atividade econômica.

Reação do mercado liga alerta

Mesmo tendo que ser indicado oficialmente e cumprir todo um rito antes de ser empossado, o mercado já deu sinal ao nome de Mello, e ele foi vermelho. Os juros futuros de prazo mais longo — aqueles que refletem de forma mais direta a percepção de risco sobre o cenário adiante — dispararam cerca de 15 basis points, o equivalente a 0,15 ponto percentual.

Por que ele é peça-chave no tabuleiro de 2026?

A eventual indicação de Mello para o BC é estratégica por três motivos nevrálgicos:

  • Sintonia com o Planalto: Ele goza de uma confiança política que raros técnicos possuem, servindo de “ponte” entre os desejos de Lula e a realidade dos números da Fazenda.
  • Harmonia Monetária: Com Galípolo na presidência do BC, Mello seria o reforço necessário para formar uma maioria que busque uma queda mais acelerada da Selic, pauta constante do governo.
  • Contrapeso Técnico: Sua indicação equilibraria a equipe econômica, mantendo um formulador heterodoxo de peso em uma instituição historicamente dominada pela visão de mercado.

Haddad no jogo de Xadrez

A manobra é interpretada nos corredores de Brasília como um avanço calculado de Haddad para fincar bandeira no Banco Central. Ao indicar um nome de sua estrita confiança técnica, o ministro busca alinhar a cúpula da autarquia ao trabalho que já vem sendo feito na Secretaria de Política Econômica (SPE).

Sob o comando de Mello, a SPE tornou-se o coração das projeções de PIB e inflação, servindo de bússola para todas as metas fiscais do governo. Outro nome indicado para o Presidente Lula por Haddad é o de Tiago Cavalcante.