A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, desenvolveu uma molécula capaz de regenerar lesões medulares causadas por traumas graves.
Batizada de polilaminina, a substância sintética atua na reconexão de fibras nervosas em pacientes com quadros de paraplegia e tetraplegia.
Em entrevista ao canal do youtube TV 247, a pesquisadora descreveu a estrutura como a “proteína de Deus” devido ao formato original da laminina, que assemelha-se a uma cruz.
Enquanto a proteína natural tem forma de cruz, a versão sintética age como se várias moléculas estivessem de “mãos dadas” para estimular os nervos.
Resultados positivos e a importância da janela terapêutica
Em estudos experimentais com oito pacientes desenganados, seis recuperaram parte dos movimentos e um voltou a caminhar.
O tratamento exige aplicação em uma janela de até 72 horas após o trauma, período classificado como crucial para a regeneração.
No Brasil, um militar de 19 anos voltou a movimentar o dedo da mão apenas 12 dias após receber a injeção via ação judicial.
A bióloga ressalta que em casos crônicos, com meses de lesão, a dificuldade de recuperação é maior devido ao processo patológico.
Laís Souza e o avanço dos estudos clínicos na Anvisa
A ex-ginasta Laís Souza conheceu Bruno Drummond de Freitas, o primeiro paciente no mundo a receber a substância em fase aguda.
Bruno, que sofreu um acidente de carro em 2018, apresentou os primeiros movimentos três semanas após o procedimento cirúrgico.
O encontro entre a atleta, que sofreu um acidente na preparação dos jogos de inverno de 2011 e ficou tetraplégica, e o paciente foi compartilhado nas redes sociais, destacando o impacto da terapia desenvolvida pela UFRJ.
Atualmente, a Anvisa conduz estudos clínicos de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em tratamentos de trauma raquimedular.
Tecnologia assistiva e o uso de exoesqueletos robóticos
A busca por mobilidade também avança no campo tecnológico com o uso de exoesqueletos robóticos em centros de reabilitação.
O dispositivo complementa os esforços científicos ao oferecer suporte físico enquanto as terapias biológicas buscam a regeneração nervosa.
