Fim do tarifaço dos EUA pode evitar perda bilionária e salvar 110 mil empregos no Brasil

Tarifas elevavam impostos sobre produtos importados e exportados, encarecendo mercadorias, travando negócios e aumentando a tensão entre países

'Tarifaço' imposto pelo presidente Donald Trump pode ter efeitos diretos no bolso do brasileiro

'Tarifaço' imposto pelo presidente Donald Trump pode ter efeitos diretos no bolso do brasileiro | Joyce N. Boghosian/Fotos Públicas

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de derrubar o “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump pode ter efeitos diretos no bolso do brasileiro, mesmo que não seja imediato.

As tarifas elevavam impostos sobre produtos importados e exportados, encarecendo mercadorias, travando negócios e aumentando a tensão entre países. O Brasil foi um dos atingidos. Agora, com a reversão da medida, o cenário muda.

Após o “tarifaço” de 50% imposto por Donald Trump, as exportações de carne bovina para os Estados Unidos ficaram ainda mais caras. Para tentar reverter a medida, produtores encontraram um novo destino para parte da produção.

O que pode melhorar para o Brasil?

Antes da queda das tarifas, um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimava que o Brasil poderia perder R$ 19,2 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB), ter R$ 52 bilhões a menos em exportações e cortar até 110 mil empregos.

Sem o tarifaço, parte desse impacto negativo tende a ser evitada. Na prática, isso significa:

  • Menos risco de demissões em setores que exportam muito para os Estados Unidos;
  • Mais estabilidade para empresas industriais, especialmente as de máquinas agrícolas, aviões e carnes;
  • Menor pressão sobre o dólar, já que o ambiente internacional fica menos turbulento.

E o que isso tem a ver com o dia a dia?

Quando há guerra comercial, os preços globais oscilam, o dólar sobe com mais facilidade e o clima de incerteza afeta investimentos. Isso pode encarecer produtos importados, combustíveis e até alimentos.

  • Com menos tensão internacional:
  • O dólar tende a ficar mais estável;
  • Investidores estrangeiros voltam a colocar dinheiro em países emergentes, como o Brasil;
  • A bolsa brasileira ganha força;
  • O governo pode ter um ambiente mais favorável para organizar juros e inflação.

Nos últimos meses, estrangeiros já vinham aumentando os investimentos no Brasil. Com o fim das tarifas, essa tendência pode continuar, o que fortalece o mercado financeiro e melhora a confiança na economia.

Exportações ganham fôlego

Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino dos produtos da indústria nacional. Quando as tarifas subiram, empresas brasileiras perderam competitividade e tiveram queda nas vendas.

Com a derrubada das barreiras, exportadores voltam a disputar o mercado americano em condições mais equilibradas. Isso ajuda estados industriais como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, que estavam entre os mais afetados.

Especialistas lembram que o fim do tarifaço não resolve todos os desafios da economia brasileira. Questões internas como contas públicas, inflação e crescimento continuam pesando.

Mas a retirada das tarifas elimina um fator importante de risco externo. Em um mundo menos tensionado comercialmente, o Brasil ganha espaço para crescer com mais previsibilidade.