Você sabia que já pode operar catarata antes de ter catarata?

Especialistas explicam por que a tecnologia mudou a indicação da cirurgia e por que quem tem 50 anos já pode ser candidato ao procedimento

Atualmente, o procedimento pode ser indicado a partir dos 50 anos, inclusive para pessoas que ainda não desenvolveram a catarata

Atualmente, o procedimento pode ser indicado a partir dos 50 anos, inclusive para pessoas que ainda não desenvolveram a catarata | Prefeitura de Três Barras/Divulgação

A cirurgia de catarata deixou de ser exclusividade da terceira idade. Com o avanço da tecnologia oftalmológica, o procedimento passou a ser indicado cada vez mais cedo.

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Em alguns casos, a cirurgia é feita até de forma preventiva, para quem ainda nem desenvolveu a doença.

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Resumo da matéria

  • A cirurgia de catarata já é indicada a partir dos 50 anos, inclusive de forma preventiva.
  • O avanço tecnológico tornou o procedimento mais seguro e preciso do que no passado.
  • Diabetes e uso excessivo de corticoides podem acelerar o surgimento da doença.

Por muito tempo, ouvir que alguém iria operar catarata soava como notícia de velhice. Mas esse cenário mudou.

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Segundo dados da Fiocruz e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 25% dos brasileiros acima de 50 anos já apresentam sinais da doença.

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A medicina acompanhou esse ritmo com tecnologia e novos critérios de indicação cirúrgica.

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O que é catarata, afinal?

A catarata acontece quando o cristalino — a lente natural do olho com que nascemos — começa a perder transparência e fica opaco.

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É um processo gradual, ligado ao envelhecimento, que vai comprometendo a visão aos poucos.

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“A catarata é um problema que todo mundo vai ter, alguns mais cedo, outros mais tarde. A média de nós brasileiros é aparecer aos 60 anos e ter que operar aos 72”, explicou ao portal O Tempo o oftalmologista Leonardo Coelho Gontijo, do Instituto de Olhos de Minas Gerais (IOMG).

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“Temos casos de crianças que nascem com catarata e de adolescentes que a desenvolvem por diferentes motivos”, acrescentou o especialista em ótica cirúrgica, transplante e cirurgia refrativa.

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A forma mais frequente é a chamada catarata senil, que surge geralmente entre a quinta e a sétima década de vida. “Todos teremos catarata se vivermos o suficiente”, reforça Leonardo.

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Por que a cirurgia mudou de perfil

Antigamente, preservar a saúde ocular passava por esperar. Os médicos aguardavam a catarata “amadurecer” antes de operar, já que o procedimento tinha mais riscos.

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Só quando a visão ficava insuportável é que se optava pela cirurgia.

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Esse cenário mudou completamente. “O que vem mudando é a segurança com que o procedimento é feito, a precisão dos resultados e a tecnologia das novas lentes”, destacou Leonardo Gontijo.

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Hoje, cataratas menos avançadas já são tratadas com excelentes resultados.

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E mais: a cirurgia passou a ser indicada até para quem ainda não tem catarata. “Atualmente, a precisão é tanta que o procedimento é realizado em pessoas a partir dos 50 anos, mesmo naquelas que não tenham desenvolvido ainda a catarata”, explicou o especialista.

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“O objetivo é apenas a correção do grau que as lentes implantadas proporcionam”, completou.

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Como funciona a indicação cirúrgica hoje

A decisão pela cirurgia é extremamente individualizada e leva em conta a saúde do olho, o estilo de vida e as expectativas do paciente.

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Existem dois perfis principais de candidatos:

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  • Quem já desenvolveu a catarata e perdeu nitidez mesmo com óculos — indicação cirúrgica clássica.
  • Quem quer se livrar dos óculos antes do surgimento da catarata, geralmente entre 50 e 55 anos.

Um paciente com hipermetropia de 5 graus, por exemplo, já pode realizar o implante de uma lente de qualidade para corrigir a visão de longe e de perto.

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Dessa forma, aproveita os benefícios e ainda impede o surgimento futuro da catarata.

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Quais são os sintomas

Como o processo é lento, muita gente demora a perceber que está com catarata. Leonardo alerta que os primeiros sinais são:

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  • Visão embaçada ou com perda de nitidez
  • Ofuscamento por luzes, como faróis de carros
  • Cores menos vibrantes (o sintoma mais difícil de notar)

“Por ser um processo muito lento, o aparecimento não é súbito e pode ser complicado de perceber inicialmente”, alerta o médico.

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Por isso, quem já passou dos 50 anos deve manter as consultas com oftalmologista em dia, com exames periódicos.

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Tela de celular causa catarata?

Essa é uma dúvida comum — e a resposta tranquiliza. Leonardo descarta que o uso de telas cause danos à retina.

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“O excesso de televisão e celular não altera a constituição da retina. Não é necessário se preocupar com proteções como filtro azul, pois essas luzes não geram malefícios dessa ordem”, garantiu o especialista.

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Quem tem dúvidas sobre hábitos que prejudicam a visão pode se surpreender: dormir mal e pular consultas de rotina são riscos mais concretos do que o celular.

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Diabetes acelera o surgimento da doença

Se a tela não é vilã, o diabetes sim. “Isso acontece devido ao aumento do estresse oxidativo e das vias metabólicas que desorganizam as fibras do colágeno do cristalino”, explicou Leonardo.

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Pacientes com descontrole glicêmico têm maior risco de desenvolver a catarata mais cedo.

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Quem tem diabetes deve redobrar a atenção com a saúde ocular. Especialistas recomendam visita anual ao oftalmologista como parte do acompanhamento.

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Saber como controlar o diabetes no dia a dia também faz diferença na saúde dos olhos a longo prazo.

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O que previne (e o que não previne) a catarata

Leonardo é direto: não existe nada que impeça o aparecimento da catarata. Suplementos vitamínicos, exercícios ou fisioterapia não ajudam nesse sentido.

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O que ajuda é adiar o inevitável:

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“Esses são os dois principais cuidados preventivos”, arremata o especialista.

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Tecnologia das lentes modernas

Para quem decide operar, a escolha da lente é fundamental. Leonardo cita três tipos principais disponíveis hoje: monofocais plus, de foco estendido e trifocais.

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“Há uma gama diversa de lentes que podem dividir o foco de forma saudável, permitindo a correção do grau de longe e de perto”, confirma.

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Porém, nem todo paciente pode usar as lentes premium. “Se a pessoa já tem um problema na retina, um glaucoma mais avançado, uma alteração na córnea, essa lente de alta qualidade não poderá ser implantada porque não haverá benefícios”, alerta.

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Essa é mais uma razão para acompanhar a saúde oftalmológica regularmente.

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Outro ponto importante: a cirurgia deve ser definitiva. “Colocar a lente é uma coisa, trocar é outra. O ideal é realizar a cirurgia e nunca mais ter que mexer no local”, conclui Leonardo.

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Por isso, a decisão exige planejamento e conversa detalhada com o médico.

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Para quem busca alternativas no horizonte, nova tecnologia promete curar problemas de visão com ainda mais agilidade e segurança nos próximos anos.

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FAQ — Perguntas frequentes sobre cirurgia de catarata

1. A partir de qual idade é possível operar a catarata?
Não existe uma idade mínima fixa. A cirurgia pode ser feita em qualquer idade, desde recém-nascidos até idosos.

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Para adultos que querem se livrar dos óculos de forma preventiva, a indicação costuma ser a partir dos 50 anos.

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2. A cirurgia de catarata dói?
Não. O procedimento é feito com anestesia local e sedação leve. A duração é curta — em geral menos de 30 minutos por olho — e o paciente recebe alta no mesmo dia.

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3. É possível operar catarata pelo SUS?
Sim. A cirurgia é oferecida pelo Sistema Único de Saúde, mas costuma ter fila de espera. O encaminhamento é feito pelo oftalmologista após avaliação clínica.

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4. Depois da cirurgia, ainda será preciso usar óculos?
Depende da lente escolhida. As monofocais corrigem apenas uma distância. Já as trifocais e de foco estendido permitem enxergar de perto e de longe, reduzindo ou eliminando a necessidade de óculos.

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5. Quem tem diabetes pode operar catarata?
Sim, mas é necessário ter o diabetes controlado antes do procedimento. O descontrole glicêmico aumenta o risco cirúrgico e pode comprometer a cicatrização. O médico avalia cada caso individualmente.