Zona leste guarda patrimônios históricos de São Paulo e do Brasil

Bairros como Mooca, Penha, Tatuapé, Itaquera e São Miguel Paulista mantêm edificações que contam a história da Capital

Basílica Nossa Senhora da Penha foi construída voltada para o centro de São Paulo

Basílica Nossa Senhora da Penha foi construída voltada para o centro de São Paulo | Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Os edifícios históricos da região central de São Paulo são de conhecimento geral: Pateo do Collegio, Theatro Municipal, Monteiro de São Bento, Copan, entre outros. Mas a zona leste, a região mais populosa da cidade, também abriga prédios, igrejas, escolas e hospedarias tombados por diferentes órgãos do patrimônio por ajudarem a contar a história da Capital e do País.

Continua após a publicidade

Um dos destaques é a Penha. Em 2018, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) oficializou o tombamento do Centro Histórico do bairro, que abrange quase 20 imóveis e áreas que preservam a memória da ocupação da região desde o período colonial.

Continua após a publicidade

Além da Penha e dos outros dos locais listados a seguir, várias edificações chamam a atenção na zona leste, como a Capela de São Miguel Arcanjo (em São Miguel Paulista), Vila Maria Zélia (Belenzinho) e Ruínas do Sítio Mirim (Vila Jacuí).

Continua após a publicidade

Basílica de Nossa Senhora da Penha

Na parte mais alta de uma colina do bairro, a Basílica de Nossa Senhora da Penha se destaca na região pela beleza e gigantismo da construção, que pode ser vista em várias partes da zona leste. Pode abrigar até 7 mil pessoas, mais de 2 mil sentadas.

Continua após a publicidade

O tempo foi construído na segunda metade do século passado, voltado para o centro de São Paulo, “tendo a cidade como que a seus pés, significando que, do alto do penhasco onde está localizada a igreja, a Mãe de Deus vela e olha pelo Município do qual Ela é a Rainha e Padroeira”, como define os responsáveis pela basílica.

Continua após a publicidade

Ao lado do antigo Santuário Eucarístico e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, constitui um complexo religioso-histórico-artístico fundamental da região.

Continua após a publicidade

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha

Os religiosos dizem que a igreja foi construída a partir de 1892 “de costas” para o centro da cidade, em sentido oposto à Basílica de Nossa Senhora da Penha, por ser um espaço religioso erguido para os por escravizados.

Continua após a publicidade

Com o passar do tempo, o local se tornou um símbolo da resistência e orgulho negro contra os horrores da escravidão. A Comunidade do Rosário realiza desde 2002 a Festa da Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha, justamente para refletir sobre o tema.

Continua após a publicidade

Casa do Tatuapé

Construída entre 1668 e 1698, é uma das raras casas bandeiristas remanescentes na Capital. Feita de taipa de pilão, servia como residência rural. Hoje, está numa ruazinha paralela à avenida Celso Garcia. 

Continua após a publicidade

O que mais impressiona na visita é o contraste visual. De um lado, há uma casa simples do século 17; ali pertinho, os arranha-céus da região do Tatuapé. A casa se tornou uma lembrança viva de uma cidade que não existe mais.

Continua após a publicidade

Centro Cultural Casa da Memória

A conhecida Casa do Chefe da Estação, no centro de Itaquera, é uma construção da década de 1930 que abrigou o escritório do antigo encarregado da estação de trem. 

Continua após a publicidade

Com a desativação do trem, passou para a prefeitura, e com o tempo foi sendo frequentado por artistas e agitadores culturais. Hoje, retrata lembranças de antigos moradores do bairro e promove oficinas de diferentes expressões artísticas.

Continua após a publicidade

Museu da Imigração

Instalado na antiga Hospedaria de Imigrantes na Mooca, o Museu da Imigração preserva a história de 2,5 milhões de pessoas que cruzaram o oceano entre 1887 e 1978 rumo à cidade de São Paulo e ao interior do Estado. O local foi a porta de entrada de 70 nacionalidades que buscaram um novo começo no então longínquo Brasil.

Continua após a publicidade

Hoje, o museu une memória e tecnologia por meio de um acervo digital que permite aos visitantes rastrear as origens de seus antepassados em listas de bordo e registros de matrícula. O espaço vai além do passado, promovendo debates urgentes sobre as migrações contemporâneas e o acolhimento de refugiados do século 21.

Continua após a publicidade

Visitar o museu é reencontrar as raízes de uma nação feita de muitas nações.