O Nanico P50 é o carro que cabe em um elevador e virou símbolo de criatividade brasileira ao propor uma solução real para um problema cotidiano das grandes cidades: falta de espaço.
Criado em São Vicente, no litoral paulista, o microveículo mede apenas 1,33 metro de comprimento e foi desenvolvido para enfrentar o trânsito intenso e a escassez de vagas em centros urbanos como São Paulo.
Inspirado no clássico britânico Peel P50, considerado um dos menores carros já produzidos no mundo, o modelo brasileiro vai além da homenagem. Ele foi adaptado à realidade nacional e ganhou recursos que aumentam a praticidade, como quatro rodas e marcha à ré.
Em tempos de ruas congestionadas e prédios sem garagem, a proposta chama atenção por unir mobilidade, economia e inovação acessível.
Criado em tempo recorde e com engenharia criativa
O responsável pelo projeto é o inventor paulista Caio Strumiello, que construiu o Nanico P50 em apenas 20 dias. A base utilizada foi uma cadeira de rodas motorizada, transformada com peças reaproveitadas e estrutura reforçada.
O resultado é um microcarro com 78 centímetros de largura e 1,03 metro de altura, capaz de entrar em elevadores residenciais comuns.
A demonstração prática do veículo “subindo” para apartamentos viralizou nas redes sociais e despertou curiosidade sobre novas alternativas de mobilidade urbana.
O projeto combina sucata automotiva, conhecimento técnico e inspiração internacional, mostrando que soluções simples podem surgir fora das grandes montadoras.
Especificações que surpreendem pelo tamanho
Apesar das dimensões reduzidas, o Nanico P50 entrega desempenho compatível com deslocamentos urbanos. Equipado com motor de 50 ou 100 cilindradas, pode atingir até 60 km/h, velocidade suficiente para trajetos em bairros e vias locais.
O consumo estimado é de até 40 km por litro de gasolina, um ponto forte em meio aos constantes aumentos no preço dos combustíveis.
O interior acomoda duas pessoas de forma compacta, priorizando funcionalidade em vez de conforto. O foco é claro: deslocamentos curtos, economia e facilidade para estacionar em espaços mínimos.
A estrutura foi pensada para enfrentar o asfalto irregular das cidades brasileiras, com pneus pequenos e reforço na base.
Diferenças em relação ao modelo britânico
O Peel P50 original, lançado em 1962, media cerca de 1,37 metro de comprimento, pesava aproximadamente 59 quilos e tinha apenas três rodas. Embora também atingisse velocidades próximas, não possuía marcha à ré, o que limitava sua praticidade no dia a dia.
Já o Nanico P50 aposta em quatro rodas e maior estabilidade, além de adaptação ao cenário urbano brasileiro.
A possibilidade de entrar em elevadores é um diferencial que transforma o conceito de mobilidade vertical em realidade, especialmente em prédios antigos sem vagas de garagem.
Pode mudar a mobilidade nas grandes cidades?
Em metrópoles como São Paulo, onde o excesso de carros e a falta de estacionamento fazem parte da rotina, o surgimento de microveículos como o Nanico P50 reacende o debate sobre alternativas mais compactas e sustentáveis.
Enquanto SUVs dominam as ruas, projetos enxutos mostram que há espaço para soluções mais eficientes.
Além do baixo consumo de combustível, a proposta reduz a necessidade de grandes áreas para estacionamento e pode contribuir para diminuir emissões.
Caso avance para produção em escala, o modelo pode abrir caminho para uma nova categoria de microcarros nacionais, incentivando inovação local e respostas criativas para os desafios urbanos do Brasil.



