Casos de câncer de mama devem atingir 3,5 milhões até 2050 revela estudo

Especialistas defendem que apenas a conscientização e os exames de triagem não são suficientes para conter a letalidade do tumor

Em nações de alta renda, décadas de investimentos em rastreamento, detecção precoce e tratamento levaram a uma queda de quase 30% na mortalidade

Em nações de alta renda, décadas de investimentos em rastreamento, detecção precoce e tratamento levaram a uma queda de quase 30% na mortalidade | Freepik

Uma nova pesquisa, divulgada nessa segunda-feira (2/3), apontou que o número de diagnósticos de câncer de mama deve atingir mais de 3,5 milhões até 2050. As descobertas foram baseadas em uma análise das tendências do tumor em 204 países e territórios ao longo de mais de três décadas.

Os resultados mostram uma crescente divisão global entre quem vive e quem morre do câncer, considerado o mais comum entre as mulheres em todo o mundo.

Em nações de alta renda, décadas de investimentos em rastreamento, detecção precoce e tratamento levaram a uma queda de quase 30% na mortalidade por câncer de mama entre 1990 e 2023.

No entanto, nos países mais pobres do mundo, a tendência segue na direção oposta: as mortes causadas pelo tumor dobraram no mesmo período, de acordo com um estudo publicado na revista “The Lancet Oncology”. O levantamento ainda pontua que o número de diagnósticos nessas nações aumentou em 147% no mesmo período.

Lacuna na Infraestrutura

A divergência nos dados reflete um descompasso fundamental entre as taxas crescentes de diagnóstico e a infraestrutura necessária para tratar a doença, segundo a Dra. Kamal Menghrajani, oncologista do Hospital Geral de Massachusetts, que participou no estudo.

Ainda de acordo com a doutora, que também ocupou a função de ex-diretora de inovação em câncer e saúde pública no governo Biden, a consciência sobre câncer e exames de triagem não são suficientes.

O tratamento do câncer de mama precisa de um sistema cuidadosamente coordenado, contemplando cirurgia, radioterapia e quimioterapia ou tratamentos direcionados. Nos Estados Unidos, as opções estão geralmente disponíveis e cobertas por seguros.

Entretanto, o valor de alguns procedimentos agrava o problema.

“Em países de baixa renda, as pessoas estão sendo deixadas para trás”, disse Menghrajani. “Eles estão encontrando câncer com mais frequência, e quando encontram, podem não ter os recursos para oferecer o melhor tratamento.”

O que pode ser feito sobre o risco de câncer de mama?

Embora o estudo seja uma forma de evidenciar mudanças e diferenças regionais na saúde global, ele também oferece orientações para indivíduos que buscam reduzir o risco de câncer de mama.

O ajuste no estilo de vida é a maneira mais eficaz, principalmente com o consumo limitado de carne vermelha, redução de álcool e tabaco, controle de açúcar e do peso e com uma rotina de exercícios constante.

Menghrajani, no entanto, alertou que “mudanças no estilo de vida não podem eliminar completamente o risco de câncer de mama” e que a maioria das causas da doença não é atribuída à rotina ou costumes.

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA recomenda que mulheres façam uma mamografia a cada dois anos, começando aos 40 anos e continuando até os 74 anos. O serviço ainda recomenda o diálogo com um especialista em caso de histórico familiar ou obesidade.