A Praia de Paúba, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, foi palco de uma cena rara e simbólica: o nascimento de 88 tartarugas-cabeçudas que seguiram, instintivamente, em direção ao mar.
O momento mobilizou equipes ambientais que já monitoravam a área após indícios de desova. O caso ocorreu no último dia 19.
Técnicos atuaram rapidamente para isolar o entorno do ninho e garantir que o trajeto até a água fosse feito com o menor risco possível.
Nem todos sobrevivem ao primeiro desafio
Embora 88 filhotes tenham conseguido iniciar a jornada, o balanço também revelou perdas naturais: 15 foram encontrados mortos e 20 ovos não chegaram a eclodir.
Situações como essa são comuns no ciclo da espécie, mas reforçam a importância do acompanhamento técnico.
Especialistas explicam que os primeiros minutos de vida são decisivos.
Iluminação artificial, circulação de pessoas e até resíduos na faixa de areia podem interferir na orientação dos filhotes, que usam a luminosidade natural do horizonte para encontrar o oceano.
Segundo caso em uma semana
Um dia antes, já havia sido registrado o nascimento de quatro tartarugas da mesma espécie.
O pescador e ambulante Sebastião Benedito Vargas Santos, conhecido como Ditinho, de 55 anos, e sua esposa, Aparecida de Oliveira, identificaram um dos filhotes na faixa de areia.
O casal acionou as equipes da Secretaria do Meio Ambiente de São Sebastião, do Instituto Argonauta e da Fundação Projeto Tamar.
Monitoramento ganha peso no litoral norte
O litoral paulista não é considerado uma das principais áreas de desova da espécie, o que torna cada ocorrência ainda mais relevante do ponto de vista ambiental.
O trabalho de monitoramento constante tem sido essencial para identificar ninhos e evitar interferências humanas.
A ação contou com apoio de técnicos ambientais e órgãos municipais, que reforçam a necessidade de colaboração da população em casos semelhantes.




