Morte de “Sicário” em cela da PF aumenta crise em investigação que envolve banqueiro do Banco Master

Investigadores apontavam o operador como responsável por monitoramento e intimidação de alvos ligados ao esquema

Caso ganhou repercussão após divulgação de mensagens atribuídas a envolvidos no esquema

Caso ganhou repercussão após divulgação de mensagens atribuídas a envolvidos no esquema | Reprodução/YouTube

A morte de Sicário, figura central nas conversas reveladas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e operadores ligados ao Banco Master, adicionou um novo capítulo de tensão a um caso que já mobiliza a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Segundo reportagem do G1, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu no dia 5 de março após ficar internado em um hospital de Belo Horizonte. Ele havia sido encontrado desacordado na cela da Polícia Federal em Minas Gerais, onde, de acordo com as investigações, teria tentado tirar a própria vida.

A morte ocorreu poucos dias depois da prisão do operador na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.

Ainda de acordo com o G1, Sicário era considerado pelos investigadores uma peça-chave no braço operacional de inteligência do grupo ligado a Vorcaro. Entre suas funções estariam o monitoramento de alvos e a intimidação de funcionários, ex-funcionários, uma empregada doméstica e até um jornalista.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal revelam uma dinâmica marcada por ameaças e ordens diretas. Mourão seria, segundo os investigadores, a “longa manus” do banqueiro — expressão jurídica usada para definir quem executa, na prática, ações determinadas por outra pessoa.

A combinação entre o teor dessas mensagens, a morte sob custódia no dia 5 de março e a abertura de um inquérito interno para esclarecer o ocorrido aumentou a pressão sobre as instituições responsáveis por investigar o caso e definir o alcance do suposto esquema.

Quem era o “Sicário” ligado a Daniel Vorcaro

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, ganhou o apelido de “Sicário” dentro do círculo de confiança de Daniel Vorcaro por atuar como operador das ações consideradas mais duras e intimidatórias do grupo.

Segundo a Polícia Federal, ele comandava uma equipe formada por seguranças e capangas responsáveis por vigiar desafetos, coletar informações sigilosas e organizar possíveis ataques físicos, sempre com o objetivo de proteger os interesses do banqueiro.

Reportagens do G1 apontam que Mourão possuía um histórico criminal com registros por estelionato, receptação, associação criminosa, furto qualificado, ameaça e infrações de trânsito, o que reforçaria a avaliação dos investigadores de que ele já transitava em ambientes ilícitos antes de se aproximar do grupo ligado ao Banco Master.

Nas apurações da Operação Compliance Zero, Sicário aparece como elo entre o núcleo financeiro do esquema  baseado na venda de títulos de crédito suspeitos de fraude e o núcleo de intimidação, usado para pressionar ou silenciar pessoas que pudessem representar ameaça ao negócio.

O conteúdo das conversas com Daniel Vorcaro

As conversas obtidas pela Polícia Federal e citadas em decisões do STF indicam um padrão de ordens atribuídas a Daniel Vorcaro para que Sicário monitorasse e intimidasse diferentes pessoas ligadas ao banco.

Em uma das mensagens reproduzidas pelo G1, o banqueiro pede que Mourão levante dados de funcionários e ex-funcionários e sugere que a agressão a um deles poderia servir como forma de intimidação para outros. Em determinado trecho, afirma que seria melhor “dar um sacode” primeiro em um chef de cozinha para assustar outra pessoa.

Outro diálogo citado nas reportagens mostra Vorcaro reclamando de uma empregada doméstica identificada como Monique, a quem acusa de ameaçá-lo, e ordenando que Sicário obtenha endereço e outras informações da mulher.

Nas mesmas conversas aparecem também referências ao monitoramento do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Em um dos trechos mencionados na investigação, surge a sugestão de simular um assalto para agredir o profissional, o que reforça a interpretação de que havia planejamento de violência.

A morte de Sicário e as investigações

Sicário foi preso em Belo Horizonte durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e levado à Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Horas depois, ele foi encontrado desacordado dentro da cela.

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal e citadas pelo G1, toda a área da carceragem possui monitoramento por câmeras sem pontos cegos. As autoridades afirmam que Mourão teria tentado se enforcar usando a própria camisa.

Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital da capital mineira, mas teve morte encefálica confirmada posteriormente, sendo o ó