Por décadas, a narrativa da evolução humana foi clara: nossos primeiros ancestrais teriam surgido na África há cerca de 7 milhões de anos, local onde o bipedalismo teria se desenvolvido.
No entanto, um fóssil encontrado no sítio arqueológico de Azmaka, na Bulgária, está forçando os pesquisadores a reconsiderar esse mapa. O item central dessa reviravolta é um fêmur de 7,2 milhões de anos pertencente ao Graecopithecus sp.
A análise detalhada do osso, publicada na revista Palaeodiversity and Palaeoenvironments, aponta que este primata pré-histórico já apresentava características típicas de locomoção bípede.
O que dizem as pesquisas
Segundo a equipe internacional de cientistas, o fêmur apresenta um colo femoral alongado e orientado para cima, além de uma espessura na camada externa do osso que se assemelha muito à anatomia dos humanos modernos e de seus ancestrais diretos.
O paleontólogo Nikolai Spassov, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, explica que a morfologia do osso indica uma forma intermediária de locomoção.
O indivíduo, provavelmente uma fêmea de cerca de 24 quilos, vivia em um ambiente de savana às margens de um rio, uma paisagem que, na época, tornava a região dos Bálcãs muito parecida com a atual África Oriental.
De onde viemos?
Até agora, o título de hominídeo mais antigo pertencia ao Orrorin sp., cujos fósseis de 7 milhões de anos foram encontrados no Quênia.
Se a classificação do Graecopithecus sp. como membro da linhagem humana for confirmada, a origem dos hominídeos seria deslocada da África para a Eurásia.
A teoria defendida pelos pesquisadores é que as mudanças climáticas no final do Mioceno (entre 8 e 6 milhões de anos atrás) reduziram as florestas no Mediterrâneo oriental, forçando os primatas a se adaptarem a campos abertos.
Essa pressão ambiental teria favorecido o surgimento do bipedalismo e impulsionado migrações para o continente africano, onde a linhagem continuou a evoluir em grupos como os Australopithecus.
O debate científico continua
Apesar do potencial revolucionário da descoberta, a comunidade científica mantém a cautela.
A classificação do Graecopithecus sp. como um ancestral humano direto ainda é alvo de debate, e os próprios autores do estudo reconhecem que a hipótese precisa de mais testes.
Atualmente, novas escavações estão em curso nos Bálcãs em busca de mais evidências que ajudem a preencher as lacunas dessa nova peça no quebra-cabeça da nossa evolução.


