Acordo Mercosul-UE: quais os próximos passos para tirar livre mercado do papel

Senadora Tereza Cristina confirma início do tratado para 1º de maio; entenda as novas regras ambientais

acordo mercosul e uniao europeia

acordo mercosul e uniao europeia | Marcos Oliveira/Agência Senado

O que antes parecia um horizonte distante tornou-se, enfim, uma realidade palpável para a economia brasileira. Após mais de duas décadas de impasses e negociações complexas, o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deu passos decisivos na última semana, posicionando-se para uma implementação prática já no primeiro semestre de 2026. 

O “sim” de Brasília e Bruxelas 

O avanço mais significativo ocorreu no Senado Federal do Brasil, que aprovou por unanimidade, no último dia 4 de março, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 41/2026). A ratificação brasileira era considerada o “pilar de sustentação” para que o bloco sul-americano pudesse formalizar a parceria. Com isso, o Brasil se junta à Argentina e ao Uruguai, que já haviam chancelado o texto.

A confirmação do cronograma veio da senadora Tereza Cristina (PP-MS), voz influente no setor produtivo e articuladora do acordo no Congresso. Logo após a votação no Senado, a parlamentar afirmou que a meta é colocar o tratado em operação no dia 1º de maio de 2026. 

“O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve entrar em vigor em 1º de maio, após a sanção presidencial e a conclusão das etapas formais de ratificação e notificação entre as partes”, declarou a senadora. 

Do outro lado do Atlântico, o processo também ganhou tração institucional. Em janeiro de 2026, a União Europeia aprovou o acordo de forma provisória. O gesto abriu caminho para a assinatura formal de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, removendo os últimos entraves diplomáticos que travavam a cooperação desde 2019. 

O que muda para o setor produtivo e o consumidor 

A aplicação provisória prevista para maio permite que as reduções tarifárias comecem imediatamente, sem esperar a ratificação individual de todos os 27 parlamentos europeus. 

  • Para a Indústria: o impacto é misto. Enquanto insumos e máquinas europeias ficarão mais baratos, setores como o automotivo e o químico de São Paulo enfrentarão concorrência mais acirrada, contando com um prazo de adaptação de até 15 anos. 

  • No Supermercado: itens de grife europeia, como vinhos, azeites, queijos e chocolates, devem ter queda progressiva nos preços de importação, beneficiando o consumidor final. 

Desafios e sustentabilidade 

A aprovação definitiva só foi possível após o Mercosul aceitar cláusulas rigorosas de preservação ambiental. O compromisso com o Acordo de Paris e o combate ao desmatamento deixaram de ser apenas diplomacia para se tornarem cláusulas comerciais. O descumprimento dessas metas pode gerar sanções, o que exigirá vigilância constante do setor produtivo brasileiro. 

Próximos Passos 

  • Março/2026: ratificação final pelo Paraguai. 

  • Abril/2026: sanção do presidente da República e troca de notificações diplomáticas (o “ok” formal entre os blocos). 

  • 1º de Maio/2026: início da vigência da aplicação provisória e corte das primeiras tarifas. 

Estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o acordo pode injetar mais de 100 bilhões de dólares no PIB brasileiro nos próximos 15 anos, consolidando o país como um player central nas cadeias globais de valor.