Futuro das ‘canetas emagrecedoras’ no Brasil pode passar por Minas Gerais

Fim da patente da semaglutida abre disputa global por novos medicamentos e coloca laboratórios instalados no estado no centro da estratégia da indústria

Canetas emagrecedoras ganharam popularidade no Brasil, mas exigem prescrição médica e acompanhamento profissional.

Canetas emagrecedoras ganharam popularidade no Brasil, mas exigem prescrição médica e acompanhamento profissional. | Reprodução/Freepik

Minas Gerais pode se tornar um dos polos estratégicos da indústria farmacêutica na nova corrida global por medicamentos ultizados contra obesidade.

O estado abriga laboratórios ligados a projetos de produção ou distribuição de substâncias da classe dos análogos de GLP-1, base das chamadas “canetas emagrecedoras”.

Com a proximidade do fim da patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, na próxima sexta-feira (20/3), o tema pode ganhar novas repercussões.

A quebra da exclusividade abre caminho para novos fabricantes e amplia a disputa entre empresas que desenvolvem genéricos, biossimilares ou novas moléculas.

Essa mudança ocorre após decisão do Superior Tribunal de Justiça que rejeitou o pedido de extensão da patente do medicamento.

Assim, passa a prevalecer a regra prevista na Lei de Propriedade Industrial, que estabelece 20 anos de proteção a partir do depósito do pedido.

Indústria instalada no estado entra na disputa

Parte dessa movimentação internacional envolve empresas com presença direta em Minas Gerais.

A farmacêutica indiana Lupin Limited controla no Brasil o laboratório MedQuímica, sediado em Juiz de Fora.

A companhia integra a estratégia global da Lupin desde 2015 e pode participar da distribuição de novos medicamentos ligados à classe dos GLP-1.

Outro polo da indústria farmacêutica no estado está em Nova Lima, onde opera a empresa Biomm.

A companhia mantém parceria com a farmacêutica indiana Biocon, uma das maiores produtoras de biossimilares do mundo.

Nesse contexto, enquanto parte das empresas aposta no desenvolvimento de novas moléculas, outras trabalham na possibilidade de produzir versões genéricas da semaglutida quando o medicamento entrar definitivamente em domínio público.

Novo ciclo para as “canetas emagrecedoras”

Com o vencimento da patente da semaglutida, o mercado farmacêutico entra em uma nova fase marcada pela disputa entre genéricos, biossimilares e novas moléculas em desenvolvimento.

Nesse cenário, a presença de laboratórios e parcerias industriais instaladas em Minas Gerais coloca o estado no radar da indústria para a próxima geração de medicamentos baseados em GLP-1 — substâncias que já movimentam bilhões de dólares no mercado global e que vêm sendo popularizadas como “canetas emagrecedoras”.