Maior ‘tatuzão’ da América Latina terá nome de mulher e você vai ajudar a escolher

Votação para escolha do nome da tuneladora foi aberta pelo Governo de São Paulo

Máquina será responsável pela escavação entre as futuras estações Penha, na zona leste da Capital, e Dutra

Máquina será responsável pela escavação entre as futuras estações Penha, na zona leste da Capital, e Dutra | Divulgação/Governo de São Paulo

O Governo de São Paulo abriu nesta quarta-feira (18/3), uma votação popular na Agência SP para escolher o nome da nova tuneladora que realizará a expansão da linha 2-Verde do Metrô.

Por março ser o Mês da Mulher, o Estado de São Paulo optará por seguir a tradição e lançar um nome feminino forte e inspirador para batizar as máquinas gigantes, responsáveis por perfurar e instalar anéis de concreto nos túneis metroviários.

O maior ‘’tatuzão’’ da américa latina, chegou ao Porto de São Sebastião na primeira sexta-feira de março.

A máquina será responsável pela escavação entre as futuras estações Penha, na zona leste da Capital, e Dutra, no limite com Guarulhos, na Grande São Paulo.

Da mesma forma como as outras tuneladoras, que receberam os nomes de Lina, Tarsila e Cora Coralina, a ideia é homenagear brasileiras notáveis em suas áreas que impactaram gerações.

Para o nome da nova tuneladora, o público pode escolher entre três nomes selecionados previamente pelo Metrô de São Paulo, pela Secretaria de Políticas para a Mulher e pela Secretaria de Comunicação.

O critério para a escolha das finalistas foi o impacto transformador que representaram para a sociedade de seu tempo, pavimentando o caminho para as mulheres que vieram depois.

Os nomes selecionados são da apresentadora Hebe Camargo, a cantora e pesquisadora Inezita Barroso e a tenista Maria Esther Bueno.

Todas as referências são precursoras na comunicação, na cultura e no esporte e protagonizaram mudanças fundamentais, brilhando em que era preciso muito empenho e um tanto de teimosia para cavar espaço em setores predominantemente masculinos.

Quem são as mulheres

Hebe Camargo (Taubaté, 1929-2012)

Eleita a Rainha da Televisão em 1960, quando já tinha apresentado mais de uma dezena de programas e acumulava a nova profissão com a carreira de cantora, Hebe Maria Monteiro de Camargo nasceu em pleno 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em uma família musical. Foi descoberta aos 13 anos, em um concurso da Rádio Record em que personificou Carmen Miranda.

Ganhou o primeiro lugar e desde então passou a ajudar os pais com a nova profissão. Após uma bem-sucedida carreira nas rádios, estreou nas telinhas em 1950, já na histórica primeira transmissão da TV no Brasil, e liderou o primeiro programa feminino. Ao longo das seis décadas em que esteve no ar, desenvolveu um estilo de comunicação muito direto e próximo ao público, o que lhe garantiu espaço em horário nobre para informar e entreter.

Inezita Barroso (São Paulo,1925-2015)

Cantora, atriz, pesquisadora e apresentadora de rádio e televisão, Inezita Barroso destaca-se principalmente como uma das grandes propagadoras da cultura popular. Nascida e crescida em uma São Paulo ainda repleta de símbolos rurais, Ignez Magdalena Aranha de Lima deu início à trajetória artística aos sete anos, quando aprendeu a tocar violão e chegou a se apresentar em rádio.

Apaixonada pela música caipira, formou-se em Biblioteconomia em 1946 e, fã da pesquisa musical de Mario de Andrade, dedicou-se a conhecer, cantar e gravar modas de viola e outros gêneros musicais tradicionais. Atuou no cinema nos anos 1950 e apresentou programas de TV e rádio, como o “Viola, Minha Viola” e “Estrela da Manhã”, na Cultura, além de ter gravado cerca de 80 discos.

Maria Esther Bueno (São Paulo, 1939-2018)

Maria Esther Andion Bueno é considerada a maior atleta do tênis no Brasil e na América Latina. Começou no esporte aos seis anos, no Clube de Regatas Tietê, e aos 15 já tinha vencido o campeonato brasileiro. Aos 17, estreou internacionalmente nos Jogos Pan-Americanos e, como profissional, fez história nos torneios no exterior, com 71 títulos de simples.

Foi campeã quatro vezes do US Open, duas vezes de Wimbledon e chegou à final do Australian Open e Roland Garros. Nas duplas, conquistou todos os quatro Grand Slams em 1960. Alcançou vitórias entre as décadas de 1950 e 1970 e está no Livro dos Recordes por vencer a final do US Open de 1964, contra Carole Caldwell Graebner, em apenas 19 minutos. Encerrou a carreira de duas décadas em 1977, após alcançar a final do torneio em Dublin e perder em Wimbledon e no US Open.