Este artigo detalha as dimensões desse abismo, as condições ambientais que predominam em suas profundezas e as formas de vida surpreendentes que conseguem prosperar nesse ambiente único. Também aborda os desafios de sua exploração, já que mergulhar até esse ponto exige veículos capazes de suportar pressão extrema e operar em um ambiente sem luz solar.
O que é a Fossa das Marianas
A Fossa das Marianas é uma profunda depressão submarina em forma de crescente, localizada a leste das Ilhas Marianas, no Pacífico ocidental. Ela é uma zona de subducção, onde a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa das Marianas. Esse processo geológico é o principal responsável pela formação da fossa e por sua profundidade extraordinária.
A fossa tem cerca de 2.550 quilômetros de comprimento e largura média de aproximadamente 69 quilômetros, o que reforça sua dimensão impressionante no relevo submarino do planeta.
Qual é a profundidade da Fossa das Marianas
Determinar a profundidade exata da Fossa das Marianas tem sido um desafio científico contínuo. O ponto mais profundo conhecido dentro da fossa fica no extremo sul e é chamado de Challenger Deep. A referência mais usada atualmente é de cerca de 10.935 metros, embora diferentes medições científicas possam variar alguns metros.
Ao longo do tempo, várias expedições registraram números diferentes. A expedição Challenger, em 1875, registrou 8.184 metros. A expedição soviética Vityaz, em 1957, registrou 11.034 metros. Já o batiscafo Trieste, em 1960, chegou ao fundo do Challenger Deep e registrou cerca de 10.916 metros.
Para contextualizar, essa profundidade é maior do que a altitude do Monte Everest. Se o Everest fosse colocado no ponto mais profundo da Fossa das Marianas, seu pico ainda ficaria a mais de 2 quilômetros abaixo da superfície da água.
Pressão extrema, escuridão total e formas de vida adaptadas transformam a Fossa das Marianas em um dos lugares mais intrigantes da Terra (Foto: Freepik)As condições no fundo da Fossa das Marianas são extremamente hostis para a maioria das formas de vida. A pressão da água pode ultrapassar 1.000 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Além disso, há escuridão total, temperaturas muito baixas e oferta limitada de alimento. Mesmo assim, a exploração científica mostrou que a vida existe nesse ambiente e desenvolveu adaptações notáveis para sobreviver.
Microorganismos
Bactérias e outros microrganismos já foram encontrados em sedimentos e substratos profundos associados a ambientes oceânicos extremos. Em muitos casos, esses organismos obtêm energia de processos químicos, e não da luz solar.
Invertebrados
Entre os invertebrados, pesquisadores registraram a presença de anfípodes, holotúrias e outros organismos adaptados às grandes profundidades. Algumas dessas espécies foram observadas em profundidades próximas ao limite mais profundo conhecido do oceano.
Peixes
Os peixes-caracol da família Liparidae se tornaram um dos exemplos mais conhecidos de adaptação às fossas oceânicas. Eles vivem em profundidades de até cerca de 8.000 metros na região das Marianas e apresentam adaptações bioquímicas que ajudam a manter o funcionamento celular sob pressão intensa.
Essas formas de vida mostram uma capacidade impressionante de adaptação e resiliência. A presença de organismos em ambientes hadal desafia antigas ideias sobre os limites da vida na Terra.
Explorando o abismo
A exploração da Fossa das Marianas é um feito de engenharia e ciência. A pressão esmagadora exige submersíveis e equipamentos construídos com materiais altamente resistentes, além de sistemas preparados para trabalhar a quase 11 quilômetros abaixo da superfície.
A primeira descida tripulada ao fundo do Challenger Deep ocorreu em 23 de janeiro de 1960, com o batiscafo Trieste. A bordo estavam Don Walsh e Jacques Piccard. Mais de cinquenta anos depois, em 2012, James Cameron realizou uma descida solo no Deepsea Challenger, coletando imagens e amostras científicas.
Hoje, veículos não tripulados são cada vez mais usados para permitir explorações mais longas e detalhadas, com mapeamento do fundo do mar, coleta de dados ambientais e observação de organismos profundos. Mesmo com esses avanços, grande parte da Fossa das Marianas ainda permanece pouco explorada.



