O Palácio do Planalto e o Ministério dos Transportes entraram em modo de gerenciamento de crise. Com o preço do diesel acumulando altas nas refinarias — reflexo direto da instabilidade no Estreito de Ormuz e do barril de petróleo consolidado acima dos US$ 100 —, a cúpula do governo federal agendou para esta quarta-feira (25/3) uma reunião de emergência com as principais lideranças nacionais dos caminhoneiros e representantes de federações de transporte de carga.
O objetivo é um só: evitar que o descontentamento das estradas se transforme em uma nova paralisação nacional, como a que travou o país em 2018.
O tabuleiro: quem senta à mesa?
A reunião, prevista para ocorrer na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília, contará com a presença do ministro da pasta, Renan Filho, e técnicos da Casa Civil, além de Guilherme Boulos, que entra como uma personagem estratégico do governo para dialogar com a categoria.
Do lado dos transportadores, confirmaram presença lideranças da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC).
A pauta é espinhosa. Os caminhoneiros exigem a revisão da tabela do frete mínimo e, principalmente, uma sinalização clara sobre subsídios ao diesel ou uma nova rodada de desoneração de impostos federais.
‘Custo Ormuz’ e o efeito dominó
Como antecipamos em reportagens anteriores, a decisão de Donald Trump de suspender tarifas sobre o petróleo russo foi um alívio temporário, mas não impediu que o custo logístico global disparasse. Para o caminhoneiro na ponta da linha, o “alívio” americano ainda não chegou à bomba. Pelo contrário: o aumento nos prêmios de seguro marítimo e o desvio de rotas internacionais continuam encarecendo o bunker e, consequentemente, o diesel doméstico.
O fantasma do passado
O governo se encontra na encruzilhada que já conhecemos. Repetir o erro de 2018, criando subsídios diretos ao diesel, pode custar bilhões ao Tesouro Nacional e comprometer o ajuste fiscal de 2026. Por outro lado, deixar o mercado flutuar livremente, ignorando a pressão das estradas, é assumir o risco político de um desabastecimento generalizado.
Fontes de bastidor indicam que o governo deve propor um “meio-termo”: o uso de dividendos extraordinários da Petrobras para criar um fundo de estabilização, tentando evitar o repasse imediato da volatilidade internacional para o bico da bomba. No xadrez das rodovias, qualquer movimento em falso pode ser o estopim para o caos.
Em recentes reuniões, a estratégia parece ter dado certo, já que a greve que parecia entrar em modo de avanço foi paralisada até os próximos encontros.




