A mpox possui duas principais cepas geneticamente distintas, associadas às regiões da África Central (Bacia do Congo) e da África Ocidental.
Essas variações estão diretamente ligadas às diferenças de gravidade da doença. Na prática, essas cepas também são classificadas em dois grandes grupos, conhecidos como clado 1 e clado 2.
Apesar da relevância clínica, a identificação da variante não é feita nos exames comuns realizados no atendimento inicial.
A confirmação depende de testes específicos, como o sequenciamento genético, disponível apenas em laboratórios especializados.
Situação no Brasil
Com quase 150 casos registrados em 2026, segundo o Ministério da Saúde, a circulação do vírus volta a gerar atenção das autoridades sanitárias.
Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram a maior parte das notificações recentes.
O cenário reforça a importância do monitoramento das variantes, mesmo com limitações na identificação dos clados.
A vigilância epidemiológica busca entender quais linhagens estão em circulação no país.
Diferença entre cepas e impacto clínico
As duas cepas apresentam comportamentos distintos no organismo. A linhagem da Bacia do Congo, associada ao clado 1, tende a apresentar maior gravidade.
“As diferenças genéticas entre os clados podem alterar a capacidade do vírus de se multiplicar, de se disseminar no organismo e de escapar de uma resposta imunológica. O clado 1 tem um comportamento mais virulento ou invasivo do que o clado 2, sendo associado a quadros mais graves e maior mortalidade em diferentes cenários analisados”, afirma o infectologista Igor Marinho.
Já a cepa da África Ocidental, ligada ao clado 2, costuma estar associada a quadros mais leves.
Exames não identificam variante na rotina
No atendimento clínico, não é possível diferenciar as cepas apenas pelos sintomas. Febre, aumento de linfonodos e lesões cutâneas aparecem de forma semelhante entre os casos.
“Não dá para definir com segurança qual é a cepa apenas pelo exame clínico no atendimento inicial”, explica.
A identificação depende de sequenciamento genético, que não integra a rotina da maioria dos serviços de saúde.
Tratamento segue padrão único
Mesmo com diferenças entre as cepas, o tratamento não varia conforme a linhagem identificada.
A abordagem é baseada no controle dos sintomas e suporte clínico ao paciente.
“Saber da cepa não muda o tratamento. Quem está atendendo o paciente está focado em confirmar o diagnóstico de mpox e conduzir o caso com medidas de suporte”, afirma.
O uso de antivirais pode ser indicado em situações específicas, independentemente do tipo de variante.
Limitações no monitoramento
A principal dificuldade no Brasil está na vigilância genômica do vírus. Enquanto exames como PCR confirmam a infecção, apenas testes mais complexos identificam a cepa ou o clado.
“O sequenciamento genético é um teste caro e não está amplamente disponível na rotina”, destaca.
Essa limitação reduz a capacidade de acompanhar com precisão a circulação das variantes no país.
