Michele Vanzella, diretora de negócios do Blue Note Brasil, será candidata à Câmara dos Deputados pelo PSD. O anúncio foi feito em entrevista à TV GMG nesta semana.
Segundo a executiva, a sua possível atuação parlamentar será baseada no direito e proteção das mulheres. Ela própria foi vítima de uma tentativa de feminicídio em 2007, e hoje pretende ampliar políticas públicas para o público feminino.
Ela afirmou que sua entrada na política é uma decisão para transformar a dor individual em solução para a coletividade. Mas se recusa a colocar apenas como uma vítima. “A cadeira da vítima, ela tem que ser muito transitória. Você não pode ficar nesse lugar para sempre”, disse.
“Isso foi um acontecimento da tua vida. Ele não pode se tornar a sua vida”, continuou.
O crime que sofreu ocorreu antes da promulgação da Lei Maria da Penha, em um período em que, segundo ela, não havia proteção ou diálogo sobre o tema. Essa vivência a levou a coescrever o livro “Virando Páginas, no qual decidiu tornar sua história pública para inspirar outras mulheres.
“Minha pré-candidatura e a questão de abrir um tema tão sombrio é justamente para que as mulheres não tenham vergonha e possam ter coragem de falar também das suas mazelas sem que isso tire os seus valores”, afirmou a executiva.
Independência financeira
Uma das principais propostas de Michele para apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade é o foco na geração de renda. Ela afirmou que o acolhimento psicológico, embora essencial, deve ser acompanhado de autonomia econômica para ser efetivo.
“A renda faz com que ela possa escolher o lugar onde vai viver, de que forma vai viver. Sem isso, não tem nem como fazer um movimento de escolha”.
Com 25 anos de carreira no show business e formação em ciências contábeis, a gaúcha radicada em São Paulo pretende transpor o rigor do setor privado para a gestão de recursos públicos. Ela defende uma fiscalização severa e o fim da “normalização” da corrupção e da violência no Brasil.
A pré-candidata também destacou a importância do posicionamento feminino no ambiente de trabalho, relatando que já enfrentou episódios de assédio moral, resolvidos com firmeza imediata. “Não tenha medo de se posicionar nos primeiros 30 segundos. Isso resolve muitos problemas”, aconselhou.
Apesar dos avanços legislativos, Michele alertou para a urgência do tema, e lemrbou que a violência não escolhe classe social. Citando dados alarmantes de que quatro mulheres são mortas por dia no Brasil. “Enquanto mulheres estiverem morrendo porque querem fazer escolhas, não estamos no exercício normal da cidadania”.







