A equipe econômica do governo federal prepara o terreno para um 2027 de cintos apertados. Diante do déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025, o time confirmou que os “gatilhos” do Arcabouço Fiscal serão disparados.
O detalhamento dessas medidas integra o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. O envio oficial do documento ao Congresso Nacional está marcado para esta quarta-feira (15/4).
A regra busca frear despesas obrigatórias para salvar as contas públicas. O Secretário de Orçamento Federal (SOF) Clayton Luiz Montes sinalizou que 2027 será desafiador, especialmente pela pressão de R$ 124 bilhões em precatórios.
Nesse cenário de forte arrocho, especialistas avaliam que o governo federal pode buscar novas receitas para tentar equilibrar o teto de gastos e evitar um rombo ainda maior.
O impacto no bolso do funcionalismo
A trava mais sensível recai sobre a folha de pagamento. Enquanto o limite geral de despesas permite alta de até 2,5%, os gastos com pessoal ficarão restritos a apenas 0,6% acima da inflação anual.
É um freio brusco para a categoria. Após a folha subir 4,3% reais em 2025, atingindo R$ 412 bilhões, o governo agora deve impor restrições severas em novos concursos e na concessão de reajustes reais.
Essa limitação já era criticada por sindicatos, como o Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amazonas (Sindsep-AM). As entidades afirmam que o reajuste de 0,6% real representa uma perda de poder de compra, gerando forte tensão política no Legislativo.
Barreira para novos benefícios fiscais
Além dos salários, o governo travará a concessão de novos benefícios tributários em 2027. O objetivo central é estancar a renúncia de receita e tentar reverter o saldo negativo acumulado nos últimos anos.
Essa postura rigorosa ajuda a explicar a movimentação política para que o Executivo tente barrar a criação de novas despesas, evitando que gastos permanentes surjam sem uma fonte de custeio real.
A expectativa é que o PLDO 2027 seja votado pelos parlamentares até o final deste semestre. Até lá, o Palácio do Planalto deve enfrentar uma queda de braço entre o rigor fiscal e a pressão por investimentos.
