Cidade ‘esquecida’ do Vale do Paraíba é um recanto da fé cristã em meio à serra e área rural

A cidade pequena chama atenção por sua padroeira, pela tradição italiana e pelo ritmo desacelerado

A história da cidade se desenha junto do Ciclo do Açúcar e a imigração italiana para o interior paulista

A história da cidade se desenha junto do Ciclo do Açúcar e a imigração italiana para o interior paulista | Reprodução/Youtube/De fora em Juiz de Fora

A cerca de 190 km de São Paulo, Canas é uma daquelas cidades pequenas que passam batido à primeira vista, mas podem impressionar. No Vale do Paraíba, o município combina raízes italianas, calendário religioso e um ritmo mais calmo do que o das vizinhas mais conhecidas.

Canas é um dos municípios mais novos do Vale, mas sua origem remonta ao fim do século 19. O nome nasceu da antiga Fazenda das Canas, área desapropriada para assentar famílias de imigrantes que chegaram à região.

Esses colonos eram, em sua maioria, italianos. Segundo registros históricos do município e do IBGE, eles foram instalados no núcleo de Caninhas a partir de 1887 para plantar cana e abastecer o Engenho Central de Lorena.

Com o tempo, a colônia cresceu, passou por fase distrital e seguiu ligada a Lorena até a emancipação. O plebiscito popular ocorreu em 1992, enquanto a criação oficial do município foi definida pela Lei estadual nº 8.550, de 30 de dezembro de 1993.

Herança da fé italiana

Boa parte da identidade turística de Canas passa pelo eixo religioso. No centro, a Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora segue em atividade e funciona como referência urbana para quem chega à cidade e começa o passeio a pé.

Fachada da Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora (Foto: Reprodução / Youtube / De fora em Juiz de Fora)Fachada da Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora (Foto: Reprodução / Youtube / De fora em Juiz de Fora)

Outro ponto simbólico é a Capela de Santo Antônio. Segundo a Região Turística da Fé, o primeiro templo de Caninhas foi erguido em pau a pique em 1902, com imagem do santo trazida da Itália por imigrantes que se estabeleceram na região.

Canas também abriga a Sede Nacional da RCCBRASIL, instalada às margens da Dutra. A construção começou em 2010, ganhou escritório nacional inaugurado em 2017 e reforçou a presença do município em circuitos ligados à espiritualidade e aos encontros católicos.

Memória através da cerâmica

Um dos elementos mais interessantes da cidade está na transformação da antiga atividade oleira em espaço de convivência. O atual Espaço Cultural Cerâmica concentra festas que ajudam a sustentar a imagem pública do município.

É ali que acontecem comemorações juninas, programações de dezembro e a tradicional Festa Italiana, realizada em julho. De acordo com a Região Turística da Fé, o evento é o mais tradicional de Canas, dura quatro dias e costuma receber mais de 12 mil visitantes.

No mesmo local, o Natal de Luz puxa outro fluxo importante. Segundo o roteiro turístico regional, a programação de dezembro reúne corais, orquestras, grupos musicais e decoração especial no Paço Municipal, atraindo mais de 20 mil visitantes ao longo do período.

Lado rural completa a experiência

Se o centro dá o tom da memória, a área rural ajuda a fechar o retrato de Canas. O Instituto Estrada Real cita fazendas antigas, várzeas, pesqueiros e estradas rurais como parte dos atributos geográficos usados para apresentar a cidade ao visitante.

A Região Turística da Fé ainda lista a Fazenda São Pedro, ligada ao gado leiteiro e aberta à visitação, além da Fazenda Santo Antônio, associada ao reflorestamento de eucalipto e a planos de hotel fazenda.