Durante uma passagem recente pelo Japão, uma série de entrevistas com 12 brasileiros que vivem no país revelou diferentes trajetórias profissionais e pessoais, marcadas por adaptação, esforço e busca por estabilidade.
Os relatos mostram que, embora muitos brasileiros iniciem a vida no Japão em trabalhos operacionais, principalmente em fábricas, há caminhos possíveis de crescimento, especialmente para aqueles que investem no aprendizado do idioma japonês.
É o caso de Alex Otikawa, 29 anos, que trabalhou por quatro anos e meio em fábricas antes de mudar de área. Hoje atua como tatuador, atende clientes internacionais e recebe em dólar. Já Lina Sumiya, 28 anos, também começou em fábricas e restaurantes e atualmente trabalha como guia de turismo e também como tatuadora.
Brasileiros enfrentam barreira do idioma e cultura no JapãoOutros brasileiros conseguiram se inserir em áreas mais técnicas e corporativas. Max Taishi, 30 anos, já foi barman e agora trabalha com informática e fala japonês fluentemente. Maiara Mayumi, 28 anos, atua no setor de recursos humanos de uma grande empresa e também domina o japonês. Kevin, 25 anos, é influencer, utilizando o japonês no dia a dia para produção de conteúdo.
Há ainda quem concilie trabalho e estudo. Matheus, 23 anos, atua como pedreiro, fala japonês fluentemente e cursa engenharia. Yago, 22 anos, trabalha em uma grande loja de departamento em Tóquio e mantém uma rotina intensa de estudos do idioma.
Na área educacional, Cibelli Missawa, 39 anos, é professora em uma escola bilíngue e ensina inglês para crianças japonesas. Já Nana Sakaguchi, 30 anos, ocupa um cargo de destaque em uma empresa de cartão de crédito e realiza treinamentos para brasileiros, americanos e japoneses em diferentes países.
Danilo Yoshitomi, 29 anos, trabalha em uma seguradora, enquanto Tina Sakaguchi, 26 anos, atua na área administrativa de uma grande empresa, ambos inseridos no ambiente corporativo japonês.
Apesar das diferentes profissões, os entrevistados têm características em comum. Todos são brasileiros com ascendência japonesa, geralmente até a terceira geração, fator que, em muitos casos, facilita a entrada no país.
Brasileiros superam dificuldades para viver no JapãoNo entanto, segundo os próprios relatos, a permanência e o crescimento profissional dependem principalmente do domínio da língua japonesa. Todos os entrevistados falam o idioma, em diferentes níveis de fluência.
De acordo com as experiências relatadas, quanto maior o domínio do japonês, maiores são as chances de acesso a cargos mais qualificados e melhores salários.
Integração vai além da descendência
As histórias indicam que a ascendência japonesa pode abrir portas iniciais, mas não garante estabilidade ou ascensão profissional. A integração à cultura local e, principalmente, a comunicação eficiente em japonês são apontadas como fatores determinantes.
Em um mercado de trabalho exigente como o japonês, o idioma deixa de ser apenas uma habilidade e passa a ser um requisito fundamental para quem deseja avançar profissionalmente.
