Exoplaneta em forma de “limão” intriga cientistas e desafia a física tradicional

Proximidade extrema com estrela provoca deformações nunca vistas antes

Representação artística mostra o exoplaneta deformado pela gravidade extrema

Representação artística mostra o exoplaneta deformado pela gravidade extrema | foto/Reprodução: NASA

O Universo segue surpreendendo a ciência com descobertas que desafiam a visão tradicional sobre os planetas. Muito além das formas perfeitamente esféricas, alguns corpos celestes apresentam estruturas deformadas, moldadas por forças gravitacionais extremas.

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Esses casos revelam como a proximidade com uma estrela pode transformar completamente a aparência e a composição de um planeta.

Um exemplo impressionante é o WASP-103b, que possui um formato alongado, semelhante a um limão ou a uma bola de rúgbi.

De acordo com a revista Planeta, essa deformação ocorre devido à intensa atração gravitacional exercida por sua estrela.

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Situado a cerca de 1.225 anos-luz da Terra, esse gigante gasoso completa uma órbita em menos de 24 horas, o que provoca alterações significativas em sua estrutura e atmosfera.

A descoberta reforça a importância de telescópios espaciais como Hubble, Spitzer e CHEOPS, que permitem observar detalhes antes inacessíveis em exoplanetas distantes e ampliam o conhecimento sobre o Universo.

Forças gravitacionais extremas

No caso do WASP-103b, a chamada força de maré atua de maneira muito mais intensa do que na Terra, onde esse fenômeno é responsável pelas marés oceânicas influenciadas pela Lua.

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Sua estrela, maior e mais quente que o Sol, exerce uma força tão poderosa que estica o planeta, criando uma espécie de “inchaço” na região equatorial.

Esse tipo de planeta, conhecido como “Júpiter quente ultracurto”, sofre deformações contínuas devido à sua órbita extremamente próxima.

Pela primeira vez, cientistas conseguiram medir esse alongamento em um exoplaneta, abrindo novas possibilidades de estudo.

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Além disso, essa “assinatura de maré” permite investigar o interior do planeta. Os pesquisadores analisam se sua composição é predominantemente gasosa ou se há elementos rochosos, observando como sua estrutura reage às condições extremas.

Descoberta e tecnologia envolvida

A identificação da forma incomum do WASP-103b foi possível graças à combinação de dados do telescópio CHEOPS, da Agência Espacial Europeia, com observações dos telescópios Hubble e Spitzer. Esses equipamentos detectaram pequenas variações na luz da estrela causadas pela atmosfera deformada do planeta.

Com essas medições, os cientistas conseguiram reconstruir o formato do exoplaneta com precisão inédita. Trata-se da primeira vez que uma deformação desse tipo foi confirmada e quantificada fora do Sistema Solar.

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O estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics e representa um avanço significativo na astrofísica. A pesquisa demonstra como novas tecnologias estão ampliando o conhecimento sobre planetas extremos e pouco convencionais.

Implicações para a astrofísica

O WASP-103b mostra que forças gravitacionais intensas podem alterar profundamente a estrutura de planetas gigantes. Diferente do que ocorre na Terra, onde os efeitos são limitados, nesse caso a deformação atinge todo o corpo do planeta.

Essa descoberta indica que muitos exoplanetas próximos de suas estrelas podem ter formatos irregulares, algo que ainda não havia sido observado com clareza devido às limitações dos instrumentos anteriores.

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Com isso, os cientistas avançam na compreensão sobre a formação e evolução de sistemas planetários. Essas observações também ajudam a avaliar a estabilidade desses mundos e contribuem para estudos sobre condições extremas no Universo, ampliando as possibilidades de futuras descobertas.