A exposição à inteligência artificial já alcança 35,9% dos jovens no Brasil e começa a alterar o acesso ao primeiro emprego. O avanço da inteligência artificial no trabalho reduz vagas iniciais e muda a forma de entrada no mercado, com efeitos sobre renda e trajetória profissional.
IA está eliminando as vagas de nível júnior
A inteligência artificial no trabalho avança sobre funções iniciais, principalmente em áreas administrativas, financeiras e de tecnologia. Atividades repetitivas passam a ser executadas por sistemas automatizados, o que diminui a oferta de estágios, trainees e posições júnior.
Levantando da FGV Ibre, com base na PNAD Contínua do IBGE e no índice de exposição à IA da Organização Internacional do Trabalho (OIT), indica que jovens lideram a exposição à inteligência artificial no trabalho, ao lado de mulheres e trabalhadores com maior escolaridade.
O estudo associa o avanço da automação a mudanças na ocupação e na renda, com substituição de tarefas e reconfiguração de funções. A entrada no mercado perde espaço, o que reduz a experiência prática e afeta a progressão profissional.
Como se reinventar em um mercado de trabalho saturado
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base no Novo Caged mostram perda de ritmo na criação de vagas formais em 2025, mesmo com saldo positivo de 1,279 milhão de postos, indicando que o mercado segue gerando empregos, mas com menor intensidade.
Ao mesmo tempo, cresce a entrada por programas de aprendizagem. Informações do MTE mostram que o número de jovens aprendizes chegou a 715 mil vínculos ativos no fim de 2025, o maior nível da série.
A mudança indica que parte do primeiro emprego migra para modelos mais regulados e de menor custo para empresas.
Especialistas avaliam que a pressão da inteligência artificial no trabalho aparece primeiro na qualidade das vagas e na renda, antes de se refletir integralmente no número total de empregos.
Quando a automação substitui o primeiro degrau
Empresas de tecnologia e serviços financeiros já reduzem equipes de entrada. Ferramentas de inteligência artificial assumem tarefas como análise de dados, atendimento e produção de relatórios.
A substituição ocorre porque o custo da automação se torna mais competitivo que o treinamento de novos profissionais em atividades padronizadas. Com isso, empresas mantêm quadros experientes e diminuem contratações iniciais.
O resultado é um funil mais estreito. Jovens encontram mais dificuldade para acessar o primeiro emprego e acumular experiência.
Mulheres e jovens de baixa renda na linha de frente das perdas
O impacto da inteligência artificial no trabalho atinge com mais intensidade mulheres, concentradas em funções administrativas e de suporte, onde a automação avança mais rápido.
A combinação entre idade e renda amplia o risco. Jovens de baixa renda dependem do primeiro emprego para iniciar a trajetória profissional e enfrentam barreiras adicionais nesse novo cenário.
O vazio de políticas diante do avanço da automação
A discussão avança sem uma estratégia estruturada. Programas de qualificação digital e incentivo à contratação seguem fragmentados.
Técnicos da área econômica apontam que o desafio envolve adaptar políticas de emprego a um cenário em que o mercado deixa de garantir a experiência inicial. O debate inclui formação técnica, incentivos à contratação e revisão do modelo educacional.
Geração exposta à IA enfrenta efeito de longo prazo
A redução do primeiro emprego cria efeito acumulado. Sem experiência inicial, a progressão profissional desacelera e limita ganhos ao longo da vida.
A inteligência artificial no trabalho eleva eficiência no curto prazo, mas pode reduzir a formação de capital humano no médio prazo.
O equilíbrio entre automação e acesso ao mercado deve definir o impacto sobre crescimento e desigualdade nos próximos anos.
