A GWM (Great Wall Motor) revelou durante o Salão da China, encerrado no último domingo, em Pequim, sua nova diretriz global. Batizada de “GWM One: Honrando Compromisso e Integridade”, a estratégia foi detalhada pelo CEO Mu Feng, que elencou as principais metas da empresa com foco em soluções eficientes, seguras e alinhadas às demandas reais dos consumidores.
Ao longo do evento, a montadora afirmou que pretende sustentar seu crescimento com base em diferenciação tecnológica e consistência de produto, evitando uma disputa centrada exclusivamente em preços em um cenário de competição internacional cada vez mais intensa. “Este não é o caminho mais rápido, mas é o mais sustentável, porque cada passo é construído com base na confiança”, desafiou Feng.
Entre os principais anúncios, o Brasil recebeu grande destaque. Feng confirmou durante o salão o desenvolvimento do primeiro veículo híbrido plug-in flex do mundo, projetado especificamente para atender às características do mercado brasileiro. O Tank 300 PHEV Flex já está nas lojas da marca em todo o país, disponível no site brasileiro por R$ 342 mil. O movimento reforça a consolidação da operação local, iniciada em 2025 em Iracemápolis (SP), e evidencia a importância do país como polo de inovação para tecnologias de eletrificação adaptadas a biocombustíveis.
A estreia do Ora 5 também foi confirmada para o mercado brasileiro. A versão elétrica do SUV tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Para a China, o modelo debutou sua variante híbrida, que traz uma proposta de baixo consumo e alta autonomia. O Ora 5 híbrido promete média de 22 km/l e alcance combinado superior a 1.100 quilômetros. Com aceleração de zero a 100 km/h em 7,7 segundos, o veículo alia eficiência energética com uma experiência de condução suave, próxima à de modelos elétricos de categoria premium.
Maior destaque da GWM no Salão da China, o Wey V9X assume o papel de carro-chefe no segmento de luxo. O SUV de seis lugares é construído sobre a plataforma GWM One S e incorpora o agente de cabine “Little Wei”, que permite interação fluida entre ocupantes, sistemas do veículo e funções de condução. O interior aposta em sofisticação extrema, com tela traseira de 21,4 polegadas, sistema de som Coffee AI com 31 alto-falantes e assentos com massagem de 22 pontos. Equipado com o sistema Super Hi4 e motor 2.0 turbo, o modelo oferece até 470 quilômetros de autonomia elétrica.
No segmento de SUVs de luxo com vocação off-road, o novo Tank 700 tem design inspirado na estética oriental com referências ao Qilin, criatura quimérica da mitologia chinesa que simboliza prosperidade e soluções avançadas de eletrificação. O modelo será oferecido com duas configurações: o 3.0T Hi4-T, voltado ao off-road severo, e o 2.0T Hi4-Z, pensado para uso misto. A plataforma servirá de base ainda para o desenvolvimento do primeiro carro de competição híbrido de produção da marca, com estreia prevista para o Rali Dakar 2027.
A picape P300, na versão Hi4-T, foi desenvolvida com uma arquitetura híbrida paralela longitudinal específica para o segmento. Com autonomia combinada próxima de 900 quilômetros, o modelo se destaca pela versatilidade. Entre os diferenciais, está a capacidade de descarga externa de até 6 kW, permitindo alimentar equipamentos como ferramentas industriais e drones. A segurança da bateria tem estrutura projetada para resistir a submersão em água salgada por até 48 horas.
O Haval H7 Plus surge como o novo topo de linha da família, com design angular e cabine ampla. Equipado com o sistema Hi4 de segunda geração, o SUV oferece até 255 quilômetros de autonomia elétrica e aceleração de zero a 100 km/h em 5,8 segundos. O modelo incorpora ainda o sistema de assistência à condução Coffee Pilot 3, com sensores LiDAR e cockpit inteligente.
A base dessa nova fase é a plataforma modular GWM One, capaz de integrar diferentes tipos de propulsão de motores a combustão a sistemas elétricos e a hidrogênio combinando hardware padronizado com software orientado por inteligência artificial. Dentro desse ecossistema, a nova geração da tecnologia Hi4 foi ampliada. O Super Hi4 eleva o desempenho com aceleração esportiva e alta autonomia elétrica, enquanto as variantes Hi4-T e Hi4-Z atendem, respectivamente, a aplicações off-road e ao uso urbano com maior eficiência energética.
Com base nesses anúncios, a GWM sinaliza não apenas a ampliação de seu portfólio, mas uma mudança mais profunda na forma como pretende competir globalmente. Ao integrar diferentes tecnologias de propulsão, a GWM demonstra uma abordagem mais flexível, voltada a atender a variados perfis de consumidores.
Mais do que uma estratégia focada apenas em tecnologia, a ideia da GWM é se integrar a um movimento que considera o lado humano do negócio. Ao considerar as particularidades de cada mercado, como infraestrutura, matriz energética e hábitos de uso, a empresa busca oferecer soluções que façam sentido no dia a dia de seus clientes, aproximando-se da realidade local. No caso do Brasil, essa integração resulta no desenvolvimento de tecnologias como os sistemas híbridos flex, que levam em consideração a forte presença dos biocombustíveis no país.






