Doria manda recolher material que cita identidade de gênero e fala em ‘apologia’

A menção consta de apostila de ciências enviada aos alunos do 8º ano do ensino fundamental, que têm, em regra, de 13 a 14 anos Por Folhapress De São Paulo

O governador João Doria (PSDB) mandou recolher das escolas estaduais um material didático que fala em identidade de gênero.

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A menção consta de apostila de ciências enviada aos alunos do 8º ano do ensino fundamental, que têm, em regra, de 13 a 14 anos.

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Em publicação em rede social, Doria afirmou não tolerar a suposta propaganda de “ideologia de gênero”. A expressão, cunhada por religiosos, não é reconhecida no mundo acadêmico e normalmente é usada por grupos conservadores contrários às discussões sobre diversidade sexual e de identidade de gênero..

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“Fomos alertados de um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8º ano da rede estadual”, escreveu o tucano. “Solicitei ao Secretário de Educação o imediato recolhimento do material e apuração dos responsáveis. Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero.”

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O material explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual.

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Em nota, a Secretaria da Educação afirma que o material tem “conteúdo impróprio para a respectiva idade e série e em desarranjo com as diretrizes desta gestão”.

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Isso porque, segundo a pasta, “o tema de ‘identidade de gênero’ está em desacordo com a Base Nacional Comum Curricular, aprovada em 2017 pelo Ministério da Educação e também com o Novo Currículo Paulista, aprovado em agosto de 2019. Assim, o assunto extrapola os dois documentos, que tratam do respeito às diferenças e à multiplicidade de visões da nossa sociedade.”

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Como o jornal Folha de S.paulo revelou em 2017, as expressões “identidade de gênero” e “orientação sexual” chegaram a ser incluídas na base curricular, mas foram posteriormente retiradas do texto pelo governo Michel Temer (PMDB).

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Segundo a Secretaria da Educação, as apostilas recolhidas são elaboradas por servidores da rede estadual desde 2009 e servem de apoio ao currículo. Eles, por sua vez, “se utilizaram das fontes abertas que dispunham, no caso, de manual do Ministério da Saúde”.

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A pasta afirma que não houve prejuízo “uma vez que trata-se da apostila complementar referente apenas ao 3º bimestre, além de se tratar de apostila consumível, ou seja, que já não seria reaproveitada por outros alunos”.

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A nota diz ainda que a secretaria irá “reestruturar todo o processo de produção das apostilas e já está contratando serviço de revisão externa para todos os materiais”.

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BOLSONARO

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A manifestação de Doria foi publicada em rede social 28 minutos antes de o presidente Jair Bolsonaro afirmar ter determinado ao Ministério da Educação que redija um projeto de lei para proibir a abordagem de questões de gênero nas escolas de ensino fundamental.

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Os dois devem ser adversários na eleição presidencial de 2022.

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Recentemente, Bolsonaro tem feito diversas críticas ao governador tucano, que afirmou ter “mamado nas tetas do BNDES”, em referência à compra de jatinho a juros subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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Doria, por sua vez, tem procurado se distanciar do presidente após se aproximar da sua imagem na eleição de 2018, com o slogan Bolsodoria.

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PONTOS DE DISTANCIAMENTO ENTRE DORIA E BOLSONARO

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CORRUPÇÃO
Governador não mantém na equipe membros importantes com acusações de irregularidades, mesmo sem provas. Caíram assim Gilberto Kassab (Casa Civil), antes de assumir, e Aloysio Nunes (InvestSP). Enquanto isso, o ministro do Turismo, implicado no laranjal do PSL, segue no cargo.

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GP BRASIL
O presidente faz campanha aberta para tirar o GP Brasil de Fórmula-1 de São Paulo para o Rio, embora haja impedimentos técnicos. Doria rejeita a ideia e diz que vai brigar para que a prova siga em Interlagos.

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DITADURA
Bolsonaro sugeriu que o pai do presidente da OAB não desapareceu na ditadura, e sim foi morto por colegas de luta armada. Ele o fez sem provas e sofreu críticas. Já Doria reagiu e criticou o presidente, até porque teve o pai cassado pelo regime de 1964.

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MORO
Desde que Sergio Moro entrou na linha de tiro pelo caso The Intercept, Doria vem distribuindo afagos ao ex-juiz. Já Bolsonaro tem subido a temperatura da fritura do seu ministro, a ponto de aliados do governador defenderem convidá-lo para integrar seu governo.

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NEPOTISMO
O tucano disse que não nomearia parente para cargo público, ao comentar a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, para ocupar a embaixada do Brasil em Washington.

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EXTREMISMO
Em entrevista na China, Doria defendeu a moderação e o centrismo na política como um desejo da sociedade, e disse esperar que Bolsonaro retomasse o caminho do diálogo após uma série de declarações e acenos à fatia mais radical de sua base eleitoral.