A asma voltou a fazer parte das rodas de conversa recentemente, com a morte da escritora Fernanda Young, de 49 anos, no dia 25 de agosto. Ela teve uma crise de asma seguida por uma parada cardíaca. Por isso a importância de se prestar atenção aos principais sintomas: falta de ar, tosse seca e chiado no peito.
A doença chega a atingir 20 milhões de brasileiros, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde (MS). Já no mundo, 339 milhões de pessoas têm asma, e por dia, mil morrem de complicações da doença, que merece um cuidado especial. “Três pessoas morrem de asma no Brasil todos os dias”, disse o médico Rafael Stelmach, da divisão de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
De acordo com o pneumologista, a doença, que é hereditária, é um tipo de bronquite que não tem cura. “É uma doença inflamatória das vias aéreas, os brônquios, que leva a um estreitamento das mesmas e causa a dificuldade de respirar”, disse Stelmach, que é embaixador e coordenador da Iniciativa Global para Asma (Gina) no Brasil.
Além da falta de ar e o chiado no peito, a tosse seca e recorrente é outro sintoma ao qual se deve prestar bastante atenção. As crises geralmente acontecem à noite ou nas primeiras horas da manhã, e podem ser disparadas com as mudanças no clima, poluição, poeira, perfumes, até mesmo com atividades físicas – mas cada paciente reage de uma forma diferente. “As crises acontecem mais no outono e inverno, mas certos asmáticos podem piorar no verão e na primavera”, afirma Stelmach.
Uma vez diagnosticada, a asma deve ser tratada de forma preventiva, mesmo sem sintomas. “O tratamento evita as crises ou os ataques de asma, e são usados medicamentos inaláveis que possuem anti-inflamatórios”, adverte. Se não for tratada, a asma causa alterações permanentes nos pulmões, tosse persistente, insônia, ansiedade, a dificuldade em respirar fica ainda maior, que pode causar até internação hospitalar e, em casos extremos, a morte.
Um remédio muito conhecido dos asmáticos é a famosa “bombinha”, uma espécie de aerossol que é colocado na boca para que o medicamento chegue ao pulmão. As primeiras versões deste medicamento continham somente dilatadores dos brônquios, que aliviam os sintomas, mas não tratam a doença em si. Alguns desses remédios causavam aumento na frequência cardíaca (conhecido como “batedeira”) e tremores nas mãos. De acordo com Stelmach, esses são efeitos do remédio, que não danificam o coração. “É um mito relacionar o uso das ‘bombinhas’ a problemas cardíacos. Hoje, inclusive, há algumas que associam outras substâncias que controlam a asma”.
Mesmo sendo uma doença controlável, o paciente não deve descuidar dos remédios e da prevenção, e não somente para evitar as crises. Por isso, o acesso aos medicamentos é fundamental para evitar as crises. O SUS oferece tratamento gratuito e, para isso, o paciente precisa se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde para receber orientação médica. A prevenção vai além do uso dos medicamentos: algumas ações simples, como não fumar e tomar sol, ajudam muito a evitar crises (veja quadro Evite as crises). Assim, o asmático consegue trabalhar, praticar exercícios e ter vida normal.
Asma e bronquite não são a mesma coisa
Essas duas doenças, por terem sintomas semelhantes, são bastante confundidas, especialmente para quem tem filhos pequenos. A bronquite pode ser causada por vírus e bactérias, e geralmente causa febre e tosse com catarro, além da falta de ar. Há os casos crônicos, que são disparados por crises alérgicas. Já na asma, as vias aéreas se contraem de maneira repentina, ocasionando a dificuldade em respirar, e a tosse é seca e persistente.

