A guerra de Bolsonaro

A Blietzkriege, ou guerra-relâmpago, foi um termo criado para denominar uma tática militar utilizada pelo exército de Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial, que consistia em ataques rápidos, coordenados e de surpresa, que deixavam o inimigo desorientado, prejudicando sua capacidade de reação. Pequenas e grandes batalhas foram vencidas pelos alemães com esta tática.

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Ainda que o Brasil não esteja enfrentando uma guerra, é possível notar várias semelhanças entre a metodologia nazista e a estratégia política adotada pelo presidente brasileiro. Hoje não são ataques militares em sequência que causam a desorientação, mas um sem número de desmontes e propostas absurdas, aliados à escândalos de toda sorte envolvendo não só a equipe, mas também a família do chefe de Estado.

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O bombardeio de informações, conhecido como superinformação, leva à desinformação, mas também à desarticulação e desmobilização, na medida que todos estão demasiadamente ocupados digerindo e tentando enfrentar um debate que já nasceu perdido, para organizar uma reação. Por incrível que pareça, em meio à tanta desordem há uma estratégia clara e definida, que tem levado o bolsonarismo a pautar não só a imprensa, mas boa parte da sociedade.

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Pontos fora da curva têm sido as matérias publicadas pelo The Intercept e veículos parceiros no escândalo conhecido como Vaza-Jato. Os principais alvos desta narrativa contra hegemônica, no entanto, são um procurador da República e um ex-juiz, que atualmente ocupa o ministério da Justiça. Enquanto mantiver o cargo, Sergio Moro consegue, se não calar as vozes dissonantes, perseguir, ameaçar e deslegitimar aqueles que o denunciam, mantendo algum controle, ainda que artificial, sobre esta pauta.

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Há quem diga que a relação entre Bolsonaro e Moro esteja abalada, e cogita-se inclusive a queda do ministro. Diferente de outros quadros que foram substituídos nestes 9 meses de governo, a queda de Moro poderia significar a redução na intensidade dos ataques, tornando o executivo Federal frágil, já que esta sempre foi sua única defesa.