‘Não quero tomar o PSL de ninguém’, diz Bolsonaro sobre atritos com Bivar

Bolsonaro voltou a cobrar a transparência na prestação de contas da sigla e disse que não justifica criticá-lo por tentar dividir ou tumultuar a legenda. Por Folhapress

Em uma tentativa de colocar panos quentes na crise no PSL, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (16) que não quer tomar o controle do partido e que não tem mágoas do presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

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Na saída do Palácio do Alvorada, onde costuma conversar com simpatizantes, ele voltou a cobrar a transparência na prestação de contas da sigla e disse que não justifica criticá-lo por tentar dividir ou tumultuar a legenda.

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“O partido tem de fazer a coisa que tem de ser feita. Normal, não tem que esconder nada. Eu não quero tomar partido de ninguém. Agora, transparência faz parte. O dinheiro é público”, disse. “Não tenho mágoa com ninguém”, respondeu ao ser indagado sobre sua relação com o atual presidente da legenda.

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Na semana passada, Bolsonaro requereu a Bivar a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda. A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato. O episódio, no entanto, criou uma disputa interna na sigla, com a ameaça inclusive de expulsões.

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A aliados Bolsonaro tem dito que só oficializará a saída do PSL caso consiga viabilizar a migração segura de cerca de 20 deputados do PSL (de uma bancada de 53) a outra sigla.

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Nos bastidores, esses parlamentares já aceitam abrir mão do fundo partidário do PSL em troca de uma desfiliação sem a perda do mandato. A previsão é de que o PSL receba R$ 110 milhões de recursos públicos em 2019, a maior fatia entre todas as legendas.

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A lei permite, em algumas situações, que o parlamentar mude de partido sem risco de perder o mandato – entre elas mudança substancial e desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação política pessoal.

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Nesta terça-feira (15), a temperatura da crise aumentou com a deflagração de uma operação da Polícia Federal em endereços ligados a Bivar, na esteira da investigação de candidaturas laranja, caso revelado pela Folha de S.Paulo.

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Apesar do discurso de pressão a Bivar, Bolsonaro mantém no cargo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, indiciado pela PF e denunciado pelo Ministério Público por três crimes no esquema dos laranjas.

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“O partido está com a oportunidade de se unir na transparência. Não tem um lado A ou um lado B. O presidente falou em transparência. Eu falei, sim, em transparência. Então, vamos mostrar as contas. E não ficar, como a gente vê noticias por aí, de expulsa de lá, tira da comissão, vai retaliar”, disse Bolsonaro.

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O laranjal do PSL deu início a uma crise na legenda e tem sido um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

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Em fevereiro, a Folha mostrou que o grupo de Bivar criou uma candidata de fachada em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018.

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Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

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À época, a Folha visitou os endereços informados pela gráfica na nota fiscal e na Receita Federal e não encontrou sinais de que ela tenha funcionado nesses locais durante a eleição.

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Questionado nesta quarta-feira se defende a saída de Bivar do comando da sigla, o presidente disse que não defende “nada” e que só cobra um gesto de transparência. Ele ressaltou que deve ao PSL a sua eleição ao Palácio do Planalto, apesar de outros partidos terem oferecido legenda.

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“Não defendo nada, não quero saber de nada, só quero transparência”, afirmou. “Não justifica que eu estou tumultuando a relação com o partido, que eu estou dividindo, não justifica. Eu estou calado e vou continuar calado sobre esse assunto”, acrescentou.

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O presidente reclamou da cobertura da imprensa que, de acordo com ele, “só vê coisa ruim” e o tempo todo dá “pancada”. “Será que é justo o tempo todo só pancada no presidente, só vê coisa ruim? Eu não tenho falado nada do PSL, zero. O tempo todo fofoca que eu estou elegendo traidores para cá, traidores para lá.”

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Mesmo com a instabilidade no partido, o presidente disse acreditar que o Senado aprove nesta quarta-feira a medida provisória da reestruturação administrativa, que perde a a validade na quinta-feira (17). “Foi votada na Câmara e deve votar hoje. Devo conversar com o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP). A gente vai se acertando”, ressaltou.

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RAIO-X DO PSL

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– 271.195 filiados (em agosto/19)
– 3 governadores (SC, RO e RR), de um total de 27 estados
– 53 deputados federais, de 513; 2ª maior bancada, atrás da do PT (54)
– 3 senadores, de 81; a maior bancada, do MDB, tem 13
– R$ 110 milhões; repasses do fundo partidário em 2019 (estimativa)