Quando esta coluna alertou para o início da escalada de preços na carne bovina, a cotação da arroba valia R$ 158,31 na média do estado de São Paulo. Naquela altura, há menos de 60 dias, esse valor representava a quebra de um recorde mantido por longos 25 anos no mercado brasileiro. Pois bem, nesta semana, a mesma arroba do boi gordo bateu em R$ 230,00, pulverizando ainda mais o recorde histórico, com alta de 19% só no acumulado parcial de novembro conforme dados do Cepea/USP.
De acordo com o Cepea, no atacado da Grande São Paulo, a carcaça do boi beirou os R$ 15,00/kg, na semana passada, acumulando elevação de 25% na parcial de novembro. O apetite dos chineses e o aumento da demanda típica de final de ano é o que tem impulsionado os preços dos animais para abate e da carne no mercado atacadista.
Mas, a boa notícia é que as chuvas a partir da primavera e durante o verão devem aumentar a oferta de pasto em todo o País, o que pode ampliar a quantidade de animais prontos para o abate e reduzir um pouco essa pressão de altas sucessivas. Porém, esse fato novo deve ser um mero alento para o mercado, sem a capacidade de reduzir drasticamente os valores atuais. Sem precisar alimentar o gado com outras fontes, formadas basicamente por soja e milho, os custos da pecuária devem diminuir nos próximos seis meses, com impactos positivos para o consumidor inclusive nos preços do leite e derivados. Esse é o chamado período das vacas gordas…
O que pode atrapalhar esse freio é a insistência do governo Bolsonaro de abrir o mercado norte-americano para a exportação de carne brasileira. Desde 2017 os EUA proibiram a entrada do produto no País.
Enquanto isso, o suíno também fica mais caro nas granjas, devido especialmente à demanda de final de ano e à corrida do consumidor em busca de proteína mais barata em substituição à carne bovina. Em apenas uma semana, o quilo do suíno vivo teve alta de 0,74% tanto em Minas Gerais como em São Paulo, onde a cotação atingiu R$ 5,45. Em Santa Catarina, o aumento foi de 0,41% (R$ 4,95). No Paraná, a alta foi de 1,18%.
O preço do golpe…
Cento e cinquenta mil frangos têm morrido diariamente na Bolívia depois do bloqueio das estradas do País, após o golpe que derrubou o presidente Evo Morales, segundo o vice-presidente da Associação de Avicultura, Teodoro Miranda.
…que mata 155 mil/dia.
Há um mês, criadores de Cochabamba e Santa Cruz relatam falta de alimento para as aves. Além do canibalismo provocado pela fome, o calor nas granjas também têm provocado as mortes. A Bolívia consome 18 milhões de frangos por mês.
Ofertas no mercado de peixe.
Agulhão, bagre, betara, bonito, gordinho, guaivira, linguado, oveva, papa-terra, pargo, pescada amarela/goete, polvo e truta estão no auge da safra em novembro, portanto com preços mais acessíveis.
Filosofia do campo:
“Morta… serei árvore, serei tronco, serei fronde. E minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira”. Cora Coralina (1889-1985), poeta goiana.