De R$ 22 mi para R$ 34,7 mi: o que fez o custo da reforma da Praça dos Três Poderes disparar

Com acréscimo de R$ 12 milhões sobre a estimativa original, projeto do Iphan mira recuperação estrutural e proteção do patrimônio histórico

A reforma da Praça dos Três Poderes ficou R$ 12 milhões mais cara e o governo afirma que o aumento inclui restauração histórica, segurança estrutural e preservação da memória política do país

A reforma da Praça dos Três Poderes ficou R$ 12 milhões mais cara e o governo afirma que o aumento inclui restauração histórica, segurança estrutural e preservação da memória política do país | Beton Viana/Ministério dos Turismo

A restauração da Praça dos Três Poderes, em Brasília, começou com uma estimativa de R$ 22 milhões, mas o orçamento do projeto saltou para R$ 34,7 milhões. O avanço de quase 58% no custo total reflete a inclusão de despesas administrativas, ações de educação patrimonial e etapas técnicas que não estavam detalhadas no anúncio original.

Coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra integra o Novo PAC e o Ministério da Cultura. Segundo o órgão, diante da deterioração do espaço público, o projeto de restauração e revitalização da Praça dos Três Poderes foi contratado em 2024 por meio do edital de licitação nº 90001/2024.

Mais do que uma reforma estética, o projeto é uma resposta aos danos estruturais e ao vandalismo sofridos pelo conjunto arquitetônico, um dos maiores símbolos da República.

O que elevou o custo da obra em R$ 12,7 milhões

A diferença entre a promessa de 2025 e a realidade de 2026 reside no detalhamento técnico. O valor de R$ 22 milhões era uma “estimativa de partida”. Com o fechamento do projeto executivo, o montante final autorizado para captação chegou a R$ 34.786.351.

Segundo o Iphan, esse valor “cheio” agora engloba:

  • Gestão e administração da obra;
  • Custos operacionais de execução;
  • Programas de educação patrimonial;
  • Exposições culturais;
  • Projeto educativo previsto para o período das intervenções.

O órgão afirma que o aumento não configura necessariamente um “estouro” orçamentário, mas reflete a consolidação integral do escopo da revitalização.

 

Os bastidores do financiamento: recursos do PAC e estatais

A modelagem financeira da obra articula verbas públicas e incentivos fiscais. O financiamento conta com o suporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Petrobras, via Lei Rouanet e Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

Segundo o Iphan, o Instituto Pedra, organização da sociedade civil sem fins lucrativos atuante na área de patrimônio cultural, foi responsável pela apresentação do projeto cultural autorizado pelo Ministério da Cultura para a captação de R$ 34,7 milhões.

Os contratos foram firmados entre o Instituto Pedra, o BNDES e a Petrobras, com interveniência da Secretaria de Cultura do Distrito Federal (Secec).

Esse modelo de financiamento tem gerado debate sobre a prioridade no uso de recursos incentivados para a recuperação de espaços públicos federais, enquanto o Planalto defende que a preservação da memória política do país é estratégica e inadiável.

Além do concreto: o restauro sensível de monumentos e obras de arte

Restaurar a Praça dos Três Poderes não é uma obra de construção civil comum. Protocolos rigorosos de conservação são exigidos para tratar esculturas e elementos tombados, o que demanda:

  • Mão de obra altamente especializada (restauradores e conservadores);
  • Materiais específicos para não descaracterizar o traço original de Oscar Niemeyer;
  • Etapas lentas de execução, respeitando o tempo de cura e tratamento de obras de arte expostas ao tempo.

A Praça, que abriga o Palácio do Planalto, o STF e o Congresso Nacional, passa agora por uma modernização que inclui nova iluminação e melhorias de acessibilidade.

O desafio final do projeto é equilibrar a transparência nos gastos com a urgência de devolver ao país a dignidade visual de seu centro de poder.