Técnica milenar com mais de 5 mil anos de história, a acupuntura alivia dores, combate o estresse e melhora o funcionamento do intestino — sem uso de medicamentos. Reconhecida como especialidade médica no Brasil desde 1995, ela vai muito além do que muitos imaginam.
Quando o assunto é saúde sem remédios, a acupuntura aparece com frequência nas conversas. Mas o que exatamente ela é, para quem serve e quem pode aplicar? O Hospital Israelita Albert Einstein reuniu as principais respostas.
O que é a acupuntura
A acupuntura usa agulhas finas aplicadas em pontos específicos do corpo, chamados meridianos. Nesses locais, há concentração de fibras musculares, nervos e tendões.
A estimulação desses pontos promove alívio de dores, tensões e mal-estar. A lógica vem da medicina chinesa: quando o corpo está em desequilíbrio, surgem sintomas físicos e emocionais.
Buscar qualidade de vida com menos medicamentos é possível através desta terapia milenar respaldada pela medicina. Foto: Banco de imagen
A técnica faz parte das chamadas Práticas Integrativas e Complementares (PICs), que aproveitam o conhecimento de povos tradicionais para promover saúde e bem-estar ao lado da medicina convencional.
Uma história de mais de 5 mil anos
Os registros mais antigos da prática ultrapassam os 5 mil anos e têm origem na China. Naquela época, acreditava-se que dores e desconfortos eram causados por um desequilíbrio energético do corpo.
Com o tempo, a acupuntura se espalhou pelo mundo. No Brasil, chegou com a imigração japonesa e chinesa, por volta do início do século XX.
Em 1995, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu oficialmente a acupuntura como especialidade médica — um marco importante para a prática no P
aís.
Para quais problemas ela é indicada
A acupuntura não é para tudo, mas seu campo de aplicação é bem amplo. Segundo o Einstein, ela é especialmente indicada para:
- Dores crônicas — incluindo dores ortopédicas, nas costas, ombros, lombar e articulações
- Tensão muscular e estresse — com efeito relaxante comprovado na prática
- Ansiedade e depressão — como terapia complementar ao acompanhamento psiquiátrico
- Distúrbios do sono — ajuda a melhorar a qualidade e regularidade do sono
- Problemas gastrointestinais — como constipação, diarreia, gastrite e hiperacidez
- Dores ligadas a doenças como o lúpus, que causam desconforto persistente
A técnica é indicada para crianças, adultos, idosos e até animais. Ou seja, a faixa etária não é um limitador.
Acupuntura dói?
Essa é uma das perguntas mais comuns de quem considera a prática pela primeira vez. A resposta é: depende.
Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que a técnica é segura e recomendada para todas as idades, de crianças a idosos. Foto: Banco de imagens
A experiência é bastante subjetiva. Algumas pessoas sentem uma leve dor, outras apenas uma sensação de pressão ou formigamento no ponto de aplicação.
O ideal é comunicar ao profissional o que está sentindo ao longo da sessão. Assim, a técnica pode ser ajustada para provocar o menor desconforto possível.
Quem pode aplicar a acupuntura
A acupuntura exige conhecimento técnico e diagnóstico preciso. Por isso, o CFM restringe sua prática a profissionais habilitados.
Podem realizar a técnica:
- Médicos
- Dentistas (para fins odontológicos)
- Médicos veterinários (para animais)
Outro ponto essencial: o profissional deve usar agulhas descartáveis em todas as sessões, sem exceção. Esse cuidado é obrigatório e garante a segurança do paciente.
Os três principais benefícios comprovados
Além de tratar condições específicas, a acupuntura traz benefícios mais amplos à saúde. Os mais relatados e reconhecidos são:
1. Alívio das dores
A técnica reduz dores de cabeça, nas costas, nos ombros e nas articulações. É especialmente útil para quem tem restrição ao uso de medicamentos e busca alternativas terapêuticas.
A aplicação em pontos específicos, chamados meridianos, estimula nervos e fibras para promover o bem-estar natural. Foto: Banco de imagens
2. Relaxamento e equilíbrio emocional
A acupuntura reduz o estresse e a ansiedade. Segundo o Einstein, ela pode andar lado a lado com o acompanhamento médico para transtornos de ansiedade e depressão. Combinar a prática com exercícios físicos e alimentação saudável prolonga o efeito relaxante.
3. Melhora do funcionamento do intestino
A técnica favorece o trânsito intestinal e pode aliviar constipação, diarreia, gastrite e hiperacidez. O resultado é melhor ainda quando aliada a uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes.
Acupuntura como parte de um cuidado maior
A acupuntura não substitui o médico nem os tratamentos convencionais. Ela complementa — e esse é justamente o seu papel dentro das Práticas Integrativas e Complementares.
Segundo Alexandre R. Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita Albert Einstein, a prática tem valor terapêutico real quando conduzida por profissional habilitado.
Para quem busca qualidade de vida com menos medicamentos, a acupuntura é uma opção séria, segura e respaldada pela medicina — desde que feita com o profissional certo.
Perguntas frequentes
Quantas sessões de acupuntura são necessárias para sentir resultado?
O número de sessões varia conforme o quadro de saúde e a resposta de cada pessoa. Em casos de dores crônicas ou distúrbios emocionais, costuma-se recomendar entre 8 e 12 sessões iniciais, com frequência semanal ou quinzenal. O profissional habilitado avalia cada caso individualmente e define o protocolo mais adequado.
A acupuntura tem contraindicações?
Sim. Pessoas com distúrbios de coagulação, uso contínuo de anticoagulantes ou com implantes de marcapasso devem consultar um médico antes de iniciar o tratamento. Gestantes também precisam de avaliação prévia, pois alguns pontos de acupuntura são contraindicados durante a gravidez. Sempre informe ao profissional todos os seus problemas de saúde antes da primeira sessão.
A acupuntura é coberta pelo plano de saúde?
Desde 2018, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a acupuntura no rol de procedimentos obrigatórios dos planos de saúde no Brasil. Isso significa que as operadoras são obrigadas a cobrir o tratamento, embora as condições e a quantidade de sessões possam variar conforme o contrato do plano.





