Uma nova pílula diária, chamada orforglipron, mostrou capacidade de ajudar pessoas a manter o peso perdido após o fim de injeções para emagrecer, reduzindo o temido efeito sanfona, de acordo com pesquisa publicada na revista científica Nature Medicine.
O medicamento já está disponível nos Estados Unidos e pode ser lançado em breve no Reino Unido, ampliando o leque de opções para quem usa ou usou canetas como Ozempic ou Wegovy para perder peso.
O estudo, financiado pela farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, indica que a pílula pode se tornar uma estratégia de manutenção para pacientes que não desejam continuar com as injeções por longos períodos.
Pesquisas mostram que muitos pacientes voltam a ganhar parte do peso perdido depois que param as injeções para emagrecer, o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade desses tratamentos no longo prazo.
Especialistas reforçam que o uso de novos medicamentos não substitui a necessidade de manter uma alimentação equilibrada no cotidiano. Foto: Ilustração/banco de imagensNesse contexto, uma pílula de uso contínuo, mais simples de administrar no dia a dia, aparece como alternativa para prolongar os resultados sem a necessidade de aplicações frequentes.
Como funciona a nova pílula para manter o peso
O orforglipron é um medicamento oral que age em mecanismos semelhantes aos das canetas de emagrecimento, ajudando a controlar o apetite e a sensação de saciedade.
No estudo, pessoas que tomaram o comprimido diariamente durante um ano conseguiram evitar a recuperação significativa do peso perdido, problema comum entre quem interrompe terapias injetáveis.
Os pesquisadores acompanharam pacientes que já tinham passado por tratamento com injeções e observavam sinais de reganho de peso após o fim do uso das canetas.
Com a introdução da pílula, houve uma estabilização maior do peso corporal, sugerindo que o medicamento pode funcionar como uma espécie de fase de manutenção.
A prática regular de atividades físicas continua sendo pilar fundamental para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer tratamento de peso. Foto: Ilustração/banco de imagensO que diz o estudo publicado na Nature Medicine
O trabalho foi publicado na revista científica Nature Medicine e financiado pela Eli Lilly, empresa que desenvolveu o Mounjaro, outro medicamento de destaque no mercado de perda de peso.
Segundo os autores, o objetivo foi avaliar se uma forma oral poderia prolongar os benefícios alcançados com o tratamento injetável, reduzindo o impacto do fim das canetas.
Os resultados apontaram que, ao longo de um ano, pacientes que utilizaram o comprimido tiveram menor tendência de recuperar peso em comparação com aqueles que não receberam o medicamento.
Apesar do financiamento da indústria farmacêutica, os dados foram revisados por especialistas independentes, seguindo o padrão de análise científica adotado por revistas de alto impacto.
O combate à obesidade exige uma abordagem integrada que une inovações da medicina, suporte profissional e hábitos saudáveis. Foto: Ilustração/banco de imagensCanetas para emagrecer, efeito sanfona e desafios do tratamento
Medicamentos injetáveis para emagrecimento ganharam popularidade por oferecerem resultados rápidos em muitos casos, mas o fim do uso frequentemente vem acompanhado da volta gradual do peso.
Para especialistas, isso acontece porque, ao interromper o remédio, muitos pacientes retornam aos padrões de alimentação e estilo de vida anteriores, sem manter um plano estruturado de manutenção.
O uso prolongado de injeções também levanta questões sobre custo, adesão e possíveis efeitos colaterais em longo prazo, o que faz surgir a busca por alternativas mais práticas.
Nesse cenário, uma pílula de uso diário pode ser vista como opção intermediária entre encerrar de vez o tratamento e continuar indefinidamente com as injeções.
Benefícios e limites da estratégia com comprimidos
Especialistas ressaltam que a nova pílula não é uma solução mágica, mas pode ser uma ferramenta importante para manter resultados, principalmente em pessoas com histórico de obesidade.
Pessoas que tomaram o comprimido diariamente durante um ano conseguiram evitar a recuperação significativa do peso. Foto: Ilustração/Gazeta de S. PauloMesmo com o uso de orforglipron, alimentação equilibrada e atividade física regular continuam sendo parte central do tratamento, como alimentação equilibrada, acompanhamento médico e prática regular de atividade física.
Há também a necessidade de acompanhar possíveis efeitos adversos da medicação em uso prolongado, algo que exige mais estudos com amostras maiores e prazos maiores.
Além disso, questões como preço, disponibilidade em sistemas públicos de saúde e cobertura por planos ainda são pontos em aberto.
O que pacientes e médicos devem considerar
Para quem já utiliza ou utilizou injeções para emagrecer, a possibilidade de uma pílula de manutenção de peso pode trazer mais segurança e previsibilidade.
Médicos devem avaliar caso a caso, considerando histórico de saúde, resposta prévia a medicamentos, perfil metabólico e objetivos de longo prazo de cada paciente.
Entre os pontos a serem discutidos em consulta, estão:
- Tempo de uso recomendado da pílula após o fim das injeções.
- Monitoramento de peso, exames laboratoriais e possíveis efeitos colaterais.
- Integração do tratamento medicamentoso com dieta, exercícios e suporte psicológico.
Essa abordagem integrada tende a reduzir o risco de frustração, comum em quem experimenta perda rápida de peso seguida de reganho em poucos meses.
Para muitos pacientes, ter uma medicação de transição pode ser o diferencial entre abandonar completamente o tratamento ou manter o foco em resultados sustentáveis.






