Usar protetor solar dentro de casa pode parecer exagero, mas pesquisadores da Unifesp alertam que a exposição diária à luz natural em ambientes internos também provoca danos cumulativos na pele, mesmo longe do sol direto.
O alerta foi feito em material divulgado pelo Departamento de Comunicação Institucional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ouviu uma especialista da Escola Paulista de Medicina sobre o uso correto de filtros solares no dia a dia.
Segundo a médica, a ideia é tratar o protetor como um cuidado de rotina, assim como escovar os dentes, e não apenas como algo reservado para dias de praia ou piscina.
Ela reforça que a proteção diária ajuda a reduzir riscos ligados à exposição cumulativa, como envelhecimento precoce, manchas e, em longo prazo, câncer de pele.
Ambientes com grande iluminação natural exigem atenção e cuidados constantes com a saúde da pele. Foto: Banco de ImagensPor que usar protetor solar mesmo dentro de casa
A especialista da EPM/Unifesp explica que a luz solar natural que entra pelas janelas é composta por diferentes tipos de radiação, incluindo raios UVA, capazes de atravessar o vidro e atingir a pele.
Enquanto os raios UVB são mais associados às queimaduras solares, os raios UVA têm penetração mais profunda e estão relacionados ao envelhecimento da pele e ao surgimento de manchas.
De acordo com a dermatologista, a exposição a essa radiação acontece de forma silenciosa, ao longo de horas, enquanto a pessoa trabalha perto de janelas, dirige ou passa o dia em ambientes claros.
Por isso, a recomendação é aplicar protetor de amplo espectro pela manhã, inclusive em dias nublados ou chuvosos, e reaplicar conforme orientação do fabricante.
O hábito de proteger a pele contra os raios solares deve ser mantido inclusive em dias nublados ou chuvosos. Foto: Banco de ImagensRadiação, telas e luz visível: o que realmente preocupa
O texto da Unifesp lembra que não é só o sol ao ar livre que merece atenção: a luz visível de alta energia, presente em certos tipos de iluminação e dispositivos, também pode contribuir para alterações na pele, especialmente em pessoas com tendência a manchas.
A médica destaca que a luz emitida por telas de computador e celulares, sozinha, não é o principal vilão, mas o conjunto de exposição à luz natural e artificial ao longo do dia justifica o cuidado contínuo.
Ela reforça que, para o público geral, manter o uso de um filtro com boa proteção contra UVA e UVB, associado a hábitos saudáveis, já representa um avanço importante na prevenção.
Essas orientações vão na mesma linha de campanhas como o dezembro laranja, campanha alerta sobre riscos de exposição solar inadequada, que reforçam o papel da proteção diária para evitar danos acumulados.
Escreva a legenda aquiEscolha do protetor e quantidade ideal para o dia a dia
Para quem passa boa parte do tempo em casa ou no escritório, a especialista indica um protetor solar adequado ao tipo de pele, com fator de proteção recomendado pelo dermatologista, e textura que favoreça o uso diário.
Ela lembra que muitas pessoas aplicam menos produto do que o necessário, o que reduz a eficácia da proteção indicada no rótulo.
Em termos práticos, usar a quantidade correta no rosto, pescoço e áreas expostas é tão importante quanto escolher uma marca reconhecida e registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Conteúdos educativos como como usar protetor solar da forma correta e na quantidade ideal ajudam a esclarecer dúvidas sobre medidas práticas de aplicação.
Protetor solar não substitui outros cuidados com a pele
Além do filtro, a dermatologista ressalta que é importante combinar a proteção com hábitos como evitar exposição prolongada ao sol nos horários de pico e usar barreiras físicas, como chapéus e roupas adequadas, quando necessário.
Além da luz natural, a exposição contínua à luz visível de telas e lâmpadas reforça a importância da proteção diária. Foto: Banco de ImagensO simples gesto de não se expor ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa, continua valendo mesmo para quem usa filtro de qualidade.
Em orientações semelhantes às divulgadas por especialistas em matérias sobre temporada de altas temperaturas exige atenção aos cuidados com a pele, a médica reforça a importância de hidratação, boa alimentação e acompanhamento regular com profissional de saúde.
Ela destaca que, para pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, esses cuidados devem ser ainda mais rigorosos e constantes.
Quem mais precisa usar protetor solar dentro de casa
Segundo a especialista da Unifesp, alguns grupos se beneficiam especialmente do uso diário de protetor, mesmo em ambientes internos.
Entre eles estão pessoas com pele muito clara, pacientes em tratamento com medicamentos fotossensibilizantes e indivíduos com melasma ou outras manchas.
Manter o protetor solar visível na bancada do banheiro é uma estratégia simples para não esquecer a aplicação matinal. Foto: Banco de ImagensEla lembra que trabalhadores que passam o dia próximos a janelas amplas, motoristas e pessoas que utilizam bastante áreas envidraçadas também fazem parte do grupo que merece atenção especial.
Para esses casos, a recomendação é associar o filtro a consultas periódicas com dermatologista, para acompanhar a evolução da pele e ajustar o cuidado conforme necessário.
Como organizar a rotina de proteção da pele
Incorporar o protetor solar à rotina matinal é uma forma prática de garantir consistência no uso, sem depender de situações específicas como ir à praia ou praticar esportes ao ar livre.
Uma estratégia simples é deixar o produto ao lado da escova de dentes ou dos itens de higiene pessoal usados diariamente, para evitar o esquecimento.
Para facilitar, a médica sugere que cada pessoa converse com o dermatologista sobre o tipo de filtro mais adequado à sua realidade, levando em conta textura, cor, preço e eventuais sensibilidades da pele.
Entre os pontos destacados por especialistas em conteúdos como câncer de pele, confira orientações, sintomas e mitos sobre a doença, está a importância de alinhar expectativa e prática, para que o cuidado não seja abandonado após algumas semanas.
* Texto com informações da Unifesp.




