Copa do Mundo Feminina de 2027: Fifa pode excluir estádio brasileiro

Pendências contratuais na Arena BSB geram alerta inédito na Fifa; capital federal tem até o fim do dia para evitar exclusão do Mundial Feminino

Exigências contratuais e operacionais estão travando Brasília na Copa de 2027

Exigências contratuais e operacionais estão travando Brasília na Copa de 2027 | Matheus Maranhão

Brasília entrou em rota de colisão com a Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) e corre o risco de perder o direito de sediar jogos da Copa do Mundo Feminina de 2027.

A entidade estabeleceu um ultimato à Arena BSB, administradora do Mané Garrincha, exigindo a solução imediata de pendências operacionais e contratuais até esta sexta-feira (15/5).

A informação, apurada pelo Metrópoles, indica que a carta foi assinada por Jill Ellis, diretora-executiva de futebol da Fifa, e alerta que a capital federal poderá ser retirada oficialmente do torneio caso as exigências não sejam atendidas dentro do prazo estipulado.

O documento foi encaminhado ao CEO da Arena BSB, Richard Dubois, e elevou a tensão nos bastidores do primeiro Mundial feminino da história realizado na América do Sul.

O que está em jogo para Brasília

A possível exclusão ocorre em um momento estratégico para o futebol feminino e para a projeção internacional do Brasil.

Copa do Mundo Feminina de 2023, disputada na Austrália e Nova Zelândia, movimentou mais de US$ 570 milhões em receitas para a Fifa e acumulou audiência próxima de 2 bilhões de espectadores, segundo dados da própria entidade.

Para Brasília, o torneio é tratado como vitrine internacional para impulsionar turismo, hotelaria, serviços e atração de investimentos. A expectativa do Governo do Distrito Federal (GDF) é ampliar a exposição global da capital.

Impasse da Arena Mané Garrincha

O centro do impasse está na operação da Arena BRB Mané Garrincha, administrada pela Arena BSB.

A concessionária afirma que o estádio foi construído dentro dos padrões exigidos pela Fifa para a Copa de 2014, mas herdou um modelo econômico considerado pouco sustentável ao longo do tempo, gerando desafios financeiros para Brasília nos anos seguintes.

Nos últimos anos, a gestão afirma ter reestruturado o estádio com apoio de parceiros privados e criado um ecossistema capaz de manter a arena financeiramente equilibrada, mesmo sem um clube de futebol como mandante fixo.

A Arena BSB também diz ter acompanhado todas as vistorias da Fifa e apresentado alternativas técnicas para atender às novas exigências da entidade.

Exigências que Brasília não cumpriu

Nos últimos ciclos de vistoria, a Fifa teria apontado ajustes necessários, principalmente na área de hospitalidade do estádio.

O ponto mais sensível envolve camarotes e estruturas comerciais, com a possibilidade de remoção ou adaptação de espaços já instalados para atender aos padrões exigidos para o torneio.

Nos bastidores, a Fifa busca garantias formais de adequação da arena aos padrões comerciais e operacionais exigidos para o torneio.

Bilhões em jogo

De acordo com o Correio Braziliense, a Fifa também trabalha com a possibilidade de substituir Brasília por outra cidade caso não haja acordo dentro do prazo estabelecido, segundo o Correio Braziliense.

A decisão adiciona pressão ao Governo do Distrito Federal (GDF), que apostava no Mundial feminino como vitrine internacional da capital nos próximos anos.

A eventual exclusão atinge diretamente setores que projetavam aumento de demanda durante o Mundial, especialmente hotelaria, turismo, alimentação e infraestrutura.

Até o momento, o GDF não detalhou oficialmente os possíveis impactos econômicos da perda da sede.

Copa do Mundo de 2027 pode marcar exclusão inédita

O Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. O planejamento atual prevê que Brasília receba pelo menos cinco partidas do torneio.

Caso a crise envolvendo o Mané Garrincha avance, Brasília poderá se tornar a primeira sede aprovada a ser excluída oficialmente de uma Copa do Mundo Feminina após a confirmação inicial da Fifa.