A Torre do Diabo: o monolito que virou ícone dos ETs no cinema

Sagrada para tribos indígenas e eternizada pelo cinema, a Torre do Diabo atrai visitantes do mundo inteiro com sua forma única e suas histórias que misturam ciência e mistério

Primeiro monumento nacional dos EUA e cenário do clássico de Steven Spielberg, a Torre do Diabo reúne geologia, cultura indígena e o fascínio pelos extraterrestres em um só lugar.

Primeiro monumento nacional dos EUA e cenário do clássico de Steven Spielberg, a Torre do Diabo reúne geologia, cultura indígena e o fascínio pelos extraterrestres em um só lugar. | Unsplash

A Torre do Diabo, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, é uma formação rochosa de 264 metros de altura que mistura geologia espetacular, história indígena milenar e o imaginário dos filmes de ficção científica — tudo em um único destino.

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Poucos destinos no mundo conseguem unir tantas camadas de história em uma única paisagem. É exatamente isso que faz da Torre do Diabo um lugar fora do comum.

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O filme que colocou a torre no mapa

Em 1977, Contatos Imediatos do Terceiro Grau estreou nos cinemas e transformou para sempre a imagem da Torre do Diabo.

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O longa, dirigido por Steven Spielberg, arrecadou mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,49 bilhão) em todo o mundo, conforme informou a CNN Travel.

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Desafio nas alturas: alpinistas do mundo todo visitam o parque anualmente em busca de adrenalina nas fendas verticais. Foto: Unsplash

No universo dos filmes que marcaram gerações, poucas cenas são tão icônicas quanto a do personagem Roy Neary, vivido por Richard Dreyfuss, moldando a forma da torre usando purê de batatas no prato de jantar — dominado por uma obsessão que ele mesmo não conseguia explicar.

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Apenas 12 minutos de filmagens foram gravados no local em 1976. O impacto, porém, foi permanente.

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“Observamos um aumento enorme no número de visitantes após o lançamento do filme, um aumento de mais de 76%, passando de cerca de 153 mil para mais de 270 mil visitantes”, disse Brian Cole, guarda florestal da Torre do Diabo, à CNN.

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“Isso realmente nos colocou no mapa, e até hoje as pessoas vêm ao parque por conta do filme.

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Os bastidores da escolha do cenário

Joe Alves, olheiro de locações de Spielberg, foi informado por um executivo do estúdio que “precisávamos de uma montanha com uma aparência muito estranha”. A Torre do Diabo se encaixou perfeitamente.

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Spielberg viajou sozinho até o Wyoming para conhecer o terreno e fechou um acordo pessoal com a família Driskill, proprietária das terras ao redor da formação, conforme relatou Ogden Driskill à CNN.

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O Serviço Nacional de Parques não permitiu que a maior parte das filmagens ocorresse dentro do parque, então a família Driskill recebeu US$ 20 mil (cerca de R$ 101 mil) pelo uso de seu prado.

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Natureza esculpida: as impressionantes colunas hexagonais de rocha formam um dos cenários mais exóticos do planeta. Foto: Unsplash

 

“A maior parte das filmagens feitas no Wyoming aconteceu exatamente onde fica o camping KOA“, disse Driskill. Com o dinheiro recebido, a família abriu o camping logo após as gravações — e ainda é dona dele, que hoje conta com mais de 150 vagas.

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Uma tradição que dura décadas

Contatos Imediatos do Terceiro Grau é exibido ao ar livre no local, com a torre ao fundo, todas as noites da temporada de verão — tradição mantida desde meados da década de 1970.

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Ogden Driskill, que era adolescente durante as gravações, cresceu imerso nessa história. Hoje senador estadual do Wyoming, ele estima que tira entre três mil e cinco mil fotografias da torre todos os anos.

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“Não há dúvida de que os nativos americanos estavam certos, é um lugar muito espiritual e muito especial, e ainda não vi quase ninguém que não se comova ao chegar lá”, disse Driskill à CNN.

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Muito antes do cinema: história indígena e sagrada

Antes de qualquer câmera apontar para ela, a Torre do Diabo já era um lugar de significado espiritual profundo para os povos originários da América do Norte.

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As árvores do parque estão repletas de pequenos panos e amuletos de oração. Os visitantes são orientados a não tocá-los, fotografá-los ou perturbá-los.

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Conexão cultural: os panos de oração deixados nas árvores demonstram o respeito contínuo das tribos pela montanha sagrada. Foto: Unsplash

Diversas tribos têm suas próprias histórias orais sobre o monólito. Em muitas delas, o nome original da torre se traduz como “Tipi do Urso” ou “Cabana do Urso”. Em uma lenda da tribo Crow, os sulcos na rocha foram feitos por um urso que tentava alcançar duas meninas.

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O nome “Torre do Diabo” pode ser resultado de uma tradução equivocada que confundiu palavras indígenas para “urso” e “deus mau”.

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Ou de uma mudança deliberada por parte do explorador Coronel Richard Irving Dodge, segundo o Serviço Nacional de Parques dos EUA. Petições para mudar o nome para “Bear Lodge” (Refúgio do Urso) circulam há anos.

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O primeiro monumento nacional dos EUA

Em 1906, o presidente Theodore Roosevelt assinou o decreto que tornava a Torre do Diabo o primeiro monumento nacional dos Estados Unidos.

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A decisão reconheceu não apenas a raridade geológica do local, mas também seu valor histórico e cultural — algo que os destinos mais procurados do mundo têm em comum: uma história que vai muito além da paisagem.

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Horizonte de cinema: a icônica silhueta da torre atrai fotógrafos e viajantes em busca de luzes perfeitas ao pôr do sol. Foto: Unsplash

A geologia por trás da forma misteriosa

A torre se formou há mais de 50 milhões de anos. Mas suas origens exatas ainda geram debate entre especialistas.

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“Os geólogos não têm certeza exata de como se formou, existem diferentes teorias. Mas o que concordam é que era magma. E eventualmente o magma subiu do solo, esfriou e endureceu.

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Então rachou, e é assim que se formam as juntas colunares dessas rachaduras. E então houve erosão ao redor”, explicou o guarda florestal Brian Cole à CNN.

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A torre é composta de pórfiro fonolítico, uma rocha ígnea rara, e representa o maior exemplo mundial de fraturamento colunar — suas colunas, frequentemente hexagonais, podem ter até três metros de largura.

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O que fazer na visita

Para quem planeja viajar e explorar destinos únicos, a Torre do Diabo oferece opções para todos os perfis:

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  • Trilha pavimentada: circuito de 2,1 km ao redor da base, com vistas de todos os ângulos.
  • Trilha Joyner Ridge: circuito de 2,4 km, menos frequentado, com iluminação deslumbrante ao pôr do sol.
  • Escalada: cerca de cinco mil pessoas escalam a formação por ano — é a única forma confiável de chegar ao topo.
  • Cidade dos cães-da-pradaria: logo na entrada do parque, uma colônia com mais de 600 roedores ocupa cerca de 16 hectares.
  • Camping: há opções dentro do parque (por ordem de chegada) e no KOA, histórico pelas filmagens de Spielberg.

A cerca de 14 quilômetros, a cidade de Hulett abriga um hotel Best Western, além de galerias, restaurantes e bares para quem quiser se hospedar na região.

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Destino completo: além da geologia imponente, a fauna local e a famosa colônia de cães-da-pradaria encantam os visitantes. Foto: Unsplash

O folclore alienígena que nunca foi embora

O visitante Kevin Thomas, que passou pela torre com a esposa Catherine, brincou com a CNN ao falar sobre o motivo da parada:

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“Queríamos encontrar os alienígenas que ficaram lá em cima, aqueles que foram deixados em ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’.”

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Na loja de presentes do local, Teresa Brown disse que, de vez em quando, vê “pessoas estranhas”. “Não vi nenhum Ovni”, admitiu à CNN. Mas o sinal de celular é instável, acrescentou. “Então, eu culpo os alienígenas.”

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O filme e seu folclore alienígena certamente impulsionaram o turismo na região. Ogden Driskill, que viveu tudo isso de perto, disse à CNN que nunca viu nada de outro mundo.

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“Provavelmente, a coisa mais próxima que já vi do espaço sideral foi há 30 anos, quando um meteorito atingiu a rodovia bem na minha frente enquanto eu dirigia para o nosso rancho às 3 horas da manhã.”

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E o legado do filme? Segue vivo.

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O novo longa de Spielberg sobre extraterrestres, “Dia D”, com estreia prevista para junho de 2026, alimenta especulações na internet de que possa ser uma continuação de Contatos Imediatos do Terceiro Grau — e a Torre do Diabo, claro, já voltou a ser assunto.