Recorde de expulsões: ordens para brasileiros deixarem a Europa saltam 114%

Barreiras em aeroportos e análise rigorosa de vistos transformam a rotina da comunidade brasileira no exterior

Fiscalização migratória mais rígida nos aeroportos europeus aumenta recusas de entrada e pressiona brasileiros que tentam permanecer no continente

Fiscalização migratória mais rígida nos aeroportos europeus aumenta recusas de entrada e pressiona brasileiros que tentam permanecer no continente | Foto: Banco de imagens/Unsplash

A nova onda de restrições migratórias na Europa já atinge brasileiros em cheio. Em 2025, mais de 3 mil cidadãos receberam ordens para deixar países da União Europeia, um salto de 114% em comparação com 2017, segundo dados citados pelo jornal O Globo.

Foram 3.050 processos registrados neste ano, reflexo direto do endurecimento das políticas migratórias no continente.

A medida já afeta a rotina de brasileiros na Europa, com fiscalização mais rígida em aeroportos, maior dificuldade para conseguir residência e critérios mais duros na análise de vistos.

Europa amplia barreiras administrativas nos aeroportos

As ordens de retorno não significam deportação imediata, mas indicam que o estrangeiro foi enquadrado em situação irregular pelas autoridades locais.

A partir disso, o imigrante pode deixar o país voluntariamente dentro do prazo estipulado ou enfrentar remoção compulsória em etapas posteriores.

A mudança atinge trabalhadores, estudantes e famílias que tentam regularizar a permanência após a chegada ao continente. O foco das autoridades europeias passou a ser a comprovação prévia de renda, vínculo empregatício e documentação válida.

Nos aeroportos, o controle também ficou mais rigoroso, com aumento das recusas de entrada e da fiscalização sobre permanência irregular.

Portugal aperta controle sobre imigração

Portugal segue como principal porta de entrada para brasileiros na Europa, mas também lidera parte das restrições recentes, com exigências maiores para residência e análise documental mais rigorosa. O país também passou a emitir a nova CIN para brasileiros residentes.

A combinação entre alta demanda e endurecimento das regras gerou filas maiores, demora na regularização e aumento de casos sob análise administrativa pelas autoridades portuguesas.

O movimento acontece em paralelo ao crescimento da imigração brasileira nos últimos anos, impulsionada pela busca por oportunidades de trabalho, estudo e acesso ao mercado europeu.

Mercado europeu prioriza profissionais qualificados

Outro fator que pesa no cenário é a mudança no perfil buscado pelo mercado de trabalho europeu. Países do bloco passaram a priorizar profissionais qualificados e trabalhadores com contratos formais previamente definidos.

Segundo levantamentos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), também aumentaram os pedidos de retorno voluntário assistido feito por brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras ou problemas de documentação no exterior.

Especialistas em imigração avaliam que a estratégia de tentar regularizar a situação apenas após chegar à Europa se tornou muito mais arriscada nos últimos anos.

A nova demografia da permanência

Esse endurecimento das políticas migratórias acontece em meio à pressão política interna nos países europeus por maior controle de fronteiras e redução da imigração irregular.

O aumento das ordens de retorno e das recusas de entrada sinaliza uma mudança estrutural no modelo migratório europeu.

O continente passa a exigir maior capacidade financeira, documentação prévia e inserção formal no mercado de trabalho desde o primeiro dia, incluindo reformas na lei da nacionalidade.

Para brasileiros que planejam morar na Europa em 2026, especialistas apontam que a regularização antecipada deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para evitar risco de permanência irregular.