O tradicional bambuzal de Salvador vai muito além de um simples cenário famoso nas redes sociais.
O corredor verde localizado na entrada do Aeroporto Internacional de Salvador se transformou em um dos cartões-postais mais conhecidos da capital baiana e também carrega uma forte importância histórica ligada ao período da Segunda Guerra Mundial.
Com cerca de 61 mil metros quadrados e aproximadamente 50 mil hastes de bambu, o espaço forma um túnel natural sobre a Avenida Tenente Frederico Gustavo dos Santos.
Quem chega à cidade de avião costuma ter o bambuzal como primeira imagem de Salvador, enquanto os visitantes que deixam a capital encontram no local uma última lembrança marcante da viagem.
Além do valor turístico, a área também possui relevância ambiental e cultural, motivo pelo qual existem iniciativas voltadas à preservação do espaço.
Origem do bambuzal acompanha expansão da aviação em Salvador
Os primeiros registros históricos indicam que o bambuzal começou a ser formado entre as décadas de 1920 e 1940, período em que a região passou por mudanças importantes ligadas ao desenvolvimento da aviação em Salvador.
Naquela época, o entorno do atual aeroporto começou a ganhar destaque estratégico para operações aéreas e militares.
Com a transferência gradual das atividades que antes aconteciam no antigo Hidroporto da Ribeira, a área passou a receber um fluxo maior de passageiros e estruturas ligadas ao transporte aéreo.
O corredor de bambus surgiu dentro desse contexto, inicialmente como parte da paisagem e da organização do acesso à região aeroportuária, sem qualquer intenção turística naquele momento.
Corredor verde teve função estratégica durante a guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, o bambuzal desempenhou um papel importante na proteção da base aérea instalada nas proximidades.
Historiadores apontam que o conjunto de bambus ajudava a esconder o acesso utilizado pelas aeronaves da Força Aérea Brasileira e também pelos aviões norte-americanos que atuavam em território baiano.
As hastes altas e inclinadas criavam uma barreira natural capaz de dificultar a visualização das instalações militares vistas do alto.
Em um período marcado por ameaças e estratégias de defesa, essa cobertura vegetal servia como uma forma de camuflagem para proteger a movimentação aérea na região.
Espaço se tornou um dos cartões-postais mais famosos da cidade
Depois do período da guerra, o corredor verde passou a ganhar um significado diferente para moradores e turistas.
Com o crescimento do aeroporto e o aumento do turismo em Salvador, o bambuzal se transformou em uma das imagens mais conhecidas da cidade.
Nos últimos anos, o local ganhou ainda mais destaque por causa das redes sociais. Fotografias e vídeos do túnel formado pelos bambus ajudaram a popularizar ainda mais o cenário, que virou parada quase obrigatória para quem visita a capital baiana.
Preservação busca manter história e paisagem do local
Atualmente, o bambuzal é visto como um importante patrimônio paisagístico e cultural da capital baiana.
Em 2022, o espaço passou por um processo de revitalização que teve como objetivo preservar suas características naturais e garantir a conservação do corredor verde.
As intervenções incluíram cuidados ambientais, manutenção das plantas e melhorias voltadas à preservação do cenário que marca a entrada do aeroporto.
A intenção é assegurar que o local continue preservado tanto pela sua importância histórica quanto pelo valor simbólico que possui para Salvador.
Mais do que um ponto turístico, o bambuzal representa uma parte viva da memória da cidade. O corredor verde une natureza, história e identidade cultural em um dos cenários mais conhecidos da capital da Bahia.




