Influenciador mirim que divulgar bets poderá pagar multa de até R$ 10 mil

Projeto aprovado em comissão da Câmara proíbe participação de menores em propagandas de jogos de azar

Garoto mexendo no celular com site de bet aberto

Novas medidas mudam entendimento sobre publicidade e bets - Pedro Ladeira/Folhapress

Influenciadores mirins podem passar a ter de pagar multas caso divulguem bets. A aprovação de um projeto de lei na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados pode estabelecer esse novo cenário.

O texto proíbe a participação de menores de idade em publicidades de loterias, jogos de azar e outros produtos cujo consumo é vedado por lei para essa faixa etária.

As multas sugeridas variam de R$ 3 mil a R$ 10 mil, classificando o descumprimento da regra como infração administrativa e prevendo os seguintes agravantes:

  • multa em dobro em caso de reincidência dentro de 12 meses;
  • multiplicação por 10 quando a infração for cometida por responsáveis pelo agenciamento da criança ou adolescente;
  • multiplicação por 100 caso a irregularidade seja praticada pela empresa de apostas ou pela fornecedora do produto anunciado.

Regra vale para redes sociais

A proposta amplia as restrições já existentes para menores de idade e passa a proibir sua participação em campanhas publicitárias de apostas, loterias e outros produtos proibidos para essa faixa etária.

A vedação vale para qualquer meio de comunicação, incluindo televisão, internet, redes sociais, plataformas de vídeo e demais canais digitais utilizados por influenciadores.

Segundo a relatora do projeto, a deputada Meire Serafim, a legislação já impede que menores participem de apostas, mas ainda não tratava de forma específica da publicidade envolvendo esse público.

“Embora o consumo e a venda já sejam proibidos, não havia uma regra específica direcionada à publicidade. O projeto vem justamente para proibir essa divulgação em qualquer plataforma digital ou meio de comunicação, garantindo uma proteção mais forte”, afirmou a parlamentar.

O que acontece agora

O projeto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, e aguarda um parecer.

Para virar lei, a proposta ainda precisará ser aprovada pelos deputados e senadores antes de seguir para sanção presidencial.