Férias de julho podem virar dívida até 2027 sem planejamento financeiro

Especialistas alertam que a falta de organização financeira pode transformar poucos dias de lazer em um longo período de aperto no orçamento

As alterações incluem o fechamento de experiências tradicionais dos parques e a chegada de novas áreas temáticas

Destinos como Orlando, nos Estados Unidos, seguem entre os mais procurados pelos brasileiros/Unsplash/Aditya Vyas

Com a aproximação das férias escolares de julho, muitas famílias já começam a planejar viagens nacionais e internacionais.

Mas especialistas alertam que a falta de organização financeira pode transformar poucos dias de lazer em um longo período de aperto no orçamento, especialmente em viagens ao exterior, onde despesas em dólar elevam significativamente os custos.

Destinos como Orlando, nos Estados Unidos, seguem entre os mais procurados pelos brasileiros, impulsionados pela oferta de parques temáticos, opções de compras e entretenimento.

Além dos gastos com passagens aéreas, hospedagem e ingressos, despesas com alimentação, transporte local, câmbio e compras costumam pesar no orçamento e, quando não são consideradas no planejamento inicial, podem gerar endividamento prolongado.

Segundo Ricardo Hiraki Maila, especialista em educação financeira e sócio-fundador da Plano Fintech, um dos erros mais frequentes é avaliar apenas o valor das parcelas da viagem, sem considerar o custo total da operação.

“Muitas famílias acreditam que a viagem cabe no orçamento porque a parcela parece acessível. O problema surge quando ela se soma a outras despesas, como gastos no cartão internacional e compras parceladas feitas durante a viagem”, afirma.

O que copromete as finanças

Entre os principais fatores que costumam comprometer as finanças após as férias estão o parcelamento prolongado de passagens e hospedagem, a alta do dólar, o uso excessivo do cartão de crédito internacional e as compras por impulso realizadas durante a viagem. Esses gastos frequentemente são subestimados no planejamento inicial e acabam pesando no orçamento por vários meses após o retorno.

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que a aviação civil brasileira registrou 129,6 milhões de passageiros em 2025, o maior volume da série histórica, refletindo o crescimento da demanda por viagens.

Ao mesmo tempo, a valorização do dólar continua sendo um dos principais fatores de pressão para quem pretende viajar ao exterior, impactando diretamente despesas com hospedagem, alimentação, ingressos e consumo.

Como evitar surpresas

Para evitar surpresas financeiras, especialistas recomendam que viagens sejam tratadas como um projeto financeiro, com orçamento definido, reserva para imprevistos e limites claros de gastos. Acompanhar a cotação da moeda estrangeira com antecedência, antecipar parte das despesas e reduzir a dependência do cartão de crédito estão entre as estratégias apontadas para minimizar riscos.

Mesmo para quem já tem viagem marcada para julho, ainda é possível reduzir impactos financeiros. A orientação é estabelecer metas de gastos diários e evitar compras por impulso, consideradas uma das principais causas de desequilíbrio financeiro durante viagens.

Para Hiraki, o lazer não deve ser encarado como um problema financeiro, mas como uma experiência que precisa estar alinhada à realidade de cada família.

“O objetivo é garantir que a viagem traga apenas boas lembranças e tranquilidade. A melhor memória de um momento especial deve ser a alegria vivida, celebrada com a segurança de um orçamento equilibrado”, conclui.