A Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4/5) em São Paulo, marca o primeiro encontro público entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desde a crise envolvendo o filme Dark Horse.
A aparição conjunta acontece após semanas de sinais de desgaste na relação entre os dois aliados.
Nos bastidores, interlocutores de Flávio vinham apontando incômodo com a postura adotada por Tarcísio diante da investigação que atingiu pessoas ligadas à produção do longa sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O desconforto ganhou força após uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora responsável pelo filme.
A investigação apura suspeitas de irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A entidade comandada por Karina Ferreira Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, produtora de Dark Horse.
Segundo a polícia, o objetivo é apurar se recursos do contrato para instalação de pontos de wi-fi em comunidades da capital paulista foram desviados para financiar a produção cinematográfica.
Declarações ampliaram ruído entre aliados
Após a operação, Flávio criticou a investigação e disse esperar que setores da polícia não estejam sendo usados para “fins eleitoreiros”.
Tarcísio, por outro lado, adotou um discurso de defesa da autonomia das forças de segurança.
O governador afirmou que a Polícia Civil tem independência para conduzir seu trabalho e que o governo estadual não interfere nas apurações.
A posição não foi bem recebida por integrantes do entorno de Flávio. O mal-estar aumentou depois que Tarcísio declarou que o senador precisava esclarecer questões relacionadas ao caso.
Lula fica fora do evento
Além de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, participam da Marcha para Jesus o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não comparece ao evento. Assim como nos últimos anos, a representação do governo federal fica a cargo do advogado-geral da União, Jorge Messias.
