Cristo Redentor transforma tradição de Corpus Christi com tapetes inéditos de tecido reciclado

Pela primeira vez, as peças foram confeccionadas com a técnica de patchwork, utilizando retalhos de tecidos reaproveitados

Montagem dos tapetes ocorreu na madrugada desta quinta-feira (4/6), no alto do Corcovado/Divulgação/Guilherme Silva/Reprodução/Agência Brasil

Os tradicionais tapetes de Corpus Christi do Santuário do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ganharam uma nova versão em 2026.

Pela primeira vez, as peças foram confeccionadas com a técnica de patchwork, utilizando retalhos de tecidos reaproveitados para formar grandes mosaicos coloridos, em uma iniciativa que alia tradição religiosa, sustentabilidade e inclusão social.

A montagem dos tapetes ocorreu na madrugada desta quinta-feira (4/6), no alto do Corcovado, reunindo trabalhos produzidos ao longo de dois meses por mulheres atendidas por projetos do Consórcio Cristo Sustentável.

Participaram da ação moradoras de comunidades e bairros da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como Rocinha, Cidade de Deus, Madureira, Irajá, Santa Teresa, São Gonçalo e Nova Iguaçu. Ao todo, foram utilizados mais de 300 quilos de tecidos arrecadados por meio de campanhas e parcerias.

Após a celebração religiosa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, os tapetes não serão descartados. Diferentemente dos modelos tradicionais, as obras confeccionadas em tecido passarão a integrar exposições futuras, em locais e datas que ainda serão divulgados pelos organizadores.

A iniciativa dá continuidade ao processo de transformação sustentável adotado pelo santuário nos últimos anos. Em 2024, os tapetes foram produzidos com materiais como borra de café, serragem, casca de ovo e sal, enquanto em 2025 a decoração utilizou cerca de 460 quilos de tampinhas plásticas recicladas, posteriormente reaproveitadas na fabricação de mobiliário por meio da técnica de madeira plástica.

Além do aspecto artístico e religioso, a iniciativa também teve forte impacto social. As peças foram produzidas por mulheres em situação de vulnerabilidade social, que participaram de 25 oficinas realizadas ao longo de dois meses, contribuindo para a geração de renda, capacitação e fortalecimento comunitário.