Embarcar em um voo da Europa até a América do Norte e chegar no destino antes de terminar um filme parece impossível. Graças ao Destinus S, um projeto de aeronave hipersônica movida a hidrogênio líquido que promete atravessar o Oceano Atlântico em cerca de 90 minutos.
A proposta é tão ambiciosa que já está sendo comparada ao lendário Concorde. Durante décadas, o Concorde simbolizou o auge da velocidade na aviação comercial. Desde sua aposentadoria, em 2003, nenhuma aeronave de passageiros conseguiu ocupar esse espaço.
O Destinus S surge com a proposta de preencher essa lacuna e redefinir a forma como o mundo viaja. Mas, segundo seus desenvolvedores, ele pretende ir ainda mais longe ou melhor, muito mais rápido.
O que é o Destinus S?
Desenvolvido pela startup europeia Destinus, o projeto prevê uma aeronave capaz de transportar aproximadamente 25 passageiros em velocidades de até Mach 5, o equivalente a cerca de 6.100 km/h.
Para se ter uma ideia da dimensão desse número, o Concorde operava em torno de Mach 2. Já o Destinus S pretende ultrapassar essa marca em mais do que o dobro.
Na prática, isso significa que uma viagem entre Londres e Nova York poderia ser concluída em aproximadamente uma hora e meia, reduzindo drasticamente o tempo gasto em deslocamentos internacionais.
Por que o hidrogênio é tão importante?
O hidrogênio líquido é considerado uma das peças-chave para tornar o conceito viável. Além de possuir alta densidade energética em relação ao seu peso, ele também pode ser utilizado para ajudar no resfriamento dos sistemas da aeronave.

Esse detalhe é fundamental porque voar acima de Mach 5 gera um desafio gigantesco: o calor. Em velocidades hipersônicas, o atrito com o ar produz temperaturas extremamente elevadas na fuselagem.
Sem sistemas avançados de refrigeração, a estrutura da aeronave poderia sofrer danos severos. Por isso, o combustível não serviria apenas para gerar energia, mas também para ajudar a controlar a temperatura do avião.
Quais são os maiores desafios?
Entre os principais desafios estão:
Certificação aeronáutica– Nenhuma agência reguladora possui hoje um modelo pronto para certificar uma aeronave comercial capaz de voar a Mach 5.
Infraestrutura– O armazenamento e abastecimento de hidrogênio líquido exigem instalações específicas, que ainda não existem em larga escala nos aeroportos.
Custos operacionais– Mesmo que a tecnologia funcione, será necessário provar que ela pode ser economicamente viável.
Segurança– Voar em velocidades hipersônicas exige padrões extremamente rigorosos de confiabilidade e proteção dos passageiros.
A Destinus afirma que pretende colocar sua primeira aeronave hipersônica em operação entre 2030 e 2032. O cronograma é considerado bastante ousado, especialmente diante da complexidade tecnológica envolvida.
Ainda assim, o avanço de projetos ligados ao hidrogênio e a crescente busca por alternativas mais sustentáveis têm atraído atenção para iniciativas desse tipo.





