Muita gente acredita que contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por vários anos é suficiente para garantir uma aposentadoria mais alta. O cálculo, porém, é mais complexo.
O valor recebido depende principalmente da média dos salários sobre os quais o trabalhadorcontribuiu ao longo da vida.
Para quem deseja se aposentar com renda equivalente a dois salários mínimos, atualmente R$ 3.242 por mês, é necessário contribuir sobre uma faixa salarial compatível e cumprir os requisitos previdenciários.
Quanto o trabalhador autônomo precisa pagar
Trabalhadores autônomos e profissionais liberais podem escolher diferentes formas de contribuição ao INSS.
Quem opta pelo plano normal recolhe 20% sobre o salário de contribuição declarado. Considerando uma renda mensal de R$ 3.242, a contribuição seria de R$ 648,40 por mês. Essa modalidade é a mais usada por quem pretende buscar uma aposentadoria acima do salário mínimo, já que permite o cálculo do benefício com base nos valores efetivamente recolhidos.
Já o plano simplificado utiliza uma taxa menor, de 11%. Embora reduza o valor mensal pago, pode limitar o benefício em determinadas situações.
Contribuição do MEI não garante benefício acima do piso
O Microempreendedor Individual (MEI) contribui com 5% do salário mínimo por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).
Essa contribuição garante acesso à aposentadoria por idade e a outros benefícios previdenciários, mas tende a limitar o valor da aposentadoria ao piso do INSS. Quem deseja aumentar a renda futura precisa complementar mais 15%, totalizando 20%. Nesse caso, o recolhimento segue lógica semelhante à do contribuinte individual.
Carteira assinada: o desconto que já vem direto no salário
Para quem trabalha com carteira assinada, a contribuição ao INSS é descontada diretamente do salário.
O valor da aposentadoria é influenciado pela remuneração registrada ao longo da carreira. Por isso, períodos prolongados com salários mais baixos reduzem a média utilizada no cálculo do benefício.
Em outras palavras, não basta acumular anos de contribuição. A faixa salarial mantida durante a vida profissional também influencia o resultado final.
Como o INSS calcula o valor do seu benefício
Um erro comum é acreditar que aumentar as contribuições perto da aposentadoria eleva significativamente o benefício.
O INSS considera a média dos salários de contribuição de toda a trajetória profissional. Quando grande parte do histórico é composta por contribuições menores, a média diminui. Por essa razão, especialistas em Previdência recomendam acompanhar regularmente o histórico contributivo e planejar a aposentadoria com antecedência.
O tempo de serviço também entra na conta
Além da média salarial, o tempo de contribuição influencia diretamente o valor da aposentadoria.
Após a Reforma da Previdência, o cálculo parte de 60% da média dos salários de contribuição. A partir daí, há acréscimo de 2 pontos percentuais para cada ano trabalhado além do período mínimo exigido.
Quem alcança uma média equivalente a dois salários mínimos, mas possui pouco tempo de contribuição, pode acabar recebendo menos do que espera.
Como descobrir qual será o valor do seu benefício
O caminho mais seguro é acompanhar regularmente o extrato previdenciário e realizar simulações antes de pedir o benefício. A consulta permite identificar períodos sem recolhimento, corrigir inconsistências cadastrais e verificar se o valor contribuído está alinhado à renda desejada.
Para quem pretende receber dois salários mínimos ou mais na aposentadoria, o planejamento antecipado reduz o risco de surpresas no momento de solicitar o benefício.





