Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prendeu nesta terça-feira (9/6) um investigador da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio órgão, suspeitos de envolvimento em um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas do sistema de Justiça paulista.
A ação também cumpriu dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior do estado.
Ex-estagiário suspeito
A investigação revelou a atuação de um ex-estagiário do Ministério Público, suspeito de utilizar o acesso a sistemas internos do órgão para identificar integrantes da facção com elevado poder aquisitivo.
De acordo com o MP, ele teria consultado bancos de dados confidenciais para selecionar alvos e, posteriormente, exigir pagamentos em troca de suposta proteção contra investigações criminais.
As apurações apontam que o grupo cobrava valores elevados dos criminosos. Em um dos casos investigados, um traficante ligado ao PCC teria recebido uma cobrança de R$ 500 mil para evitar que seu caso fosse encaminhado ao Gaeco. A denúncia levou o Ministério Público a aprofundar as investigações, que culminaram na operação desta terça-feira.
Operação Infiltrados
Batizada de Operação Infiltrados, a investigação apura crimes de corrupção, extorsão, violação de sigilo funcional e repasse de informações privilegiadas a integrantes da facção criminosa.
Entre os alvos está o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, que teria mantido contato com um dos suspeitos de participar do plano para assassinar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o MP-SP, a operação é um desdobramento das ações Pronta Resposta e Off White, realizadas em 2025, que identificaram um suposto plano do PCC para executar o promotor Amauri Silveira Filho.
Imagens obtidas durante a investigação mostram que, dias antes da deflagração da operação que frustrou o atentado, um dos acusados de coordenar o plano se reuniu com o policial civil agora preso. Os investigadores apuram se informações sigilosas foram repassadas ao criminoso.
Além das prisões, os promotores buscam esclarecer o alcance da infiltração da organização criminosa em órgãos públicos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. O Ministério Público não descarta novas fases da investigação.
