A Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, está dentro de um projeto de concessão da prefeitura que autoriza a comercialização dos chamados naming rights do espaço por até 20 anos. Com isso, na prática, o espaço pode ser rebatizado com o nome de uma empresa.
Em 2012, em um movimento contrário, o local se tornou símbolo de grupos progressistas que pediam mudanças na política paulistana, e passaram a chamar o espaço extraoficialmente de Praça Rosa.
Manifestantes fizeram grandes atos no local em outubro daquele ano contra o então prefeito Gilberto Kassab e contra o então candidato Celso Russomanno. Um deles foi batizado como “Existe Amor em SP”, e contou com nomes como Criolo, Gabi Amarantos e Emicida.
As manifestações, apesar de apartidárias, ajudaram a eleger o petista Fernando Haddad como prefeito da Capital. O rosa era a cor mais usada pelos ativistas.
O movimento foi um dos embriões políticos e estéticos dos protestos que tomariam as ruas de São Paulo e, depois, do Brasil, a partir de junho de 2013.
Esses atos começariam de esquerda, e logo se transmutariam em pautas mais voltadas à direita e contra a então presidente Dilma Rousseff, o que acarretaria com o impeachment de Dilma em 2016.
Projeto da prefeitura
A Praça Roosevelt poderá deixar de ser identificada apenas pelo nome atual e passar a carregar a marca de uma empresa privada.
A possibilidade está prevista em um projeto de concessão colocado em consulta pública pela Prefeitura de São Paulo, que autoriza a comercialização dos chamados naming rights do espaço por até 20 anos.
Pelo modelo proposto, a futura concessionária poderá negociar os direitos de nomeação da praça com empresas interessadas. Em contrapartida, o município ficará com 20% da receita bruta obtida com a operação.
A medida integra a concessão do chamado Complexo Roosevelt, que prevê a transferência da gestão do espaço para a iniciativa privada durante 20 anos.
Além da praça, o contrato inclui o estacionamento subterrâneo, o Belvedere Roosevelt, áreas localizadas sob o Minhocão e a rua Gravataí.
O chamamento para consulta pública foi publicado no Diário Oficial na última quarta-feira (3/6). A audiência pública está marcada para a próxima quarta-feira (17/6), às 10h, em formato virtual.
Já as contribuições da população poderão ser enviadas até o dia 1º de julho por e-mail à administração municipal.
