Peru tem contagem eleitoral que já dura 1 semana e não tem data para terminar

Eleições de segundo turno ocorreram em 7 de junho, e a apuração das cédulas impressas segue no país desde então, sem prazo para terminar

Keiko, de direita, marca 50,051%, enquanto o adversário esquerdista tem 49,949%/Reprodução/Instagram

A candidata Keiko Fujimori voltou a aparecer na frente da contagem de votos da disputa eleitoral contra Roberto Sánchez no Peru. As eleições de segundo turno ocorreram em 7 de junho, e a apuração das cédulas impressas segue no país desde então, sem prazo para terminar.

Continua após a publicidade

Keiko, de direita, marca 50,051%, enquanto o adversário esquerdista tem 49,949%. A margem entre ambos é de cerca de 18,3 mil votos.

Até o momento, 98,59% dos votos foram apurados, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru.

O primeiro turno ocorreu em 12 de abril, com 35 candidatos. Os resultados saíram apenas em 17 de maio, mais de um mês depois.

Continua após a publicidade

Por que a contagem no Peru demora tanto?

A demora da contagem se dá por uma série de fatores. Um deles é o modelo de voto impresso.

Contestações de apurações também costuma retardar o processo. O órgão eleitoral peruano, por exemplo, começou na quinta passada (11/6) a revisar cédulas contestadas do segundo turno.

Na semana passada, Sánchez solicitou que cerca de 400 mil votos do exterior fossem invalidados, alegando irregularidades no transporte. O pedido foi rejeitado pelas autoridades. Keiko costuma ter vantagem em votos de peruanos que vivem fora do país sul-americano.

Continua após a publicidade

O desafio logístico também existe dentro do território peruano, em um país conhecido por regiões montanhosas e florestas fechadas, além do longo litoral.

Após a votação da população, a apuração passa por etapas de revisão supervisionadas pelo Jurado Nacional de Eleições (JNE), um órgão equivalente ao TSE brasileiro, responsável por validar e divulgar o resultado oficial. O processo pode ser refeito em caso de inconsistências.

Depois disso, a decisão pode ser contestada pelos partidos políticos, que investigam possíveis irregularidades na contagem.

Continua após a publicidade

Segundo analistas, os resultados oficiais podem ainda levar dias ou até semanas.

Após o segundo turno, vários órgãos internacionais afirmaram que que a votação havia ocorrido dentro da normalidade, e sugeriram que os candidatos aguardem o resultado oficial.

Destituição do ex-presidente

O então presidente interino do Peru, o advogado José Jerí, de 39 anos, foi destituído do cargo pelo Congresso em fevereiro, quatro meses após ter sido nomeado. Jeri está envolvido em um escândalo relacionado a reuniões não divulgadas com um empresário chinês.

Continua após a publicidade

Os parlamentares deram 75 votos a favor da destituição e 24 contra. Três se abstiveram. Jeri é o terceiro presidente consecutivo do Peru a ser removido do cargo.

Ele foi substituído pelo deputado José Maria Balcázar, do partido Peru Livre, que tomou posse como novo presidente interino do Peru também em fevereiro após vencer uma eleição no parlamento.

Advogado de 83 anos, Balcázar é marxista, e se tornou o presidente mais velho da história do país sul-americano.
Ele disse que a demora na divulgação dos números prolonga a incerteza sobre o resultado do segundo turno, e pediu mais celeridade aos órgãos eleitorais.

Continua após a publicidade

A nação tem vivido uma série de crises políticas. Desde a última eleição, em 2021 (o mandato por lá dura cinco anos), o país teve quatro presidentes.