Itália abre investigação para analisar milhares de mortes de idosos em asilos

De acordo com o Instituto Superior de Saúde, quase 7 mil idosos morreram entre 10 de fevereiro e 14 de abril em asilos de todo o país

Um protesto organizado por ativistas brasileiros em Roma distribuirá menus fictícios contra Bolsonaro.

Um protesto organizado por ativistas brasileiros em Roma distribuirá menus fictícios contra Bolsonaro. | JÉSHOOTS/Pexels

Nos últimos dias, a Itália recebeu denúncias de irregularidades em asilos. Algumas apontam que faltaram dispositivos de proteção para funcionários, testes do novo coronavírus e que proibiram o uso de máscaras e luvas para evitar o “pânico” entre idosos.

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Uma investigação sobre possíveis crimes de homicídio culposo e epidemia culposa na casa de repouso Pio Albergo Trivulzio, em Milão, onde mais de 190 idosos morreram em março, foi aberta. Entretanto, as denúncias não se limitam à região.

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De acordo com o Instituto Superior de Saúde, quase 7 mil idosos morreram entre 10 de fevereiro e 14 de abril em asilos de todo o país. Quarenta por cento das mortes são de casos confirmados ou suspeitos de coronavírus.

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O número pode ser maior, já que o estudo contabilizou apenas 1.082 casas de repouso e a Itália possui 4.629 residências sanitárias – nome dado para estruturas públicas e privadas que cuidam de idosos que não são autossuficientes.

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O diretor-geral-assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), médico italiano Ranieri Guerra, especialista em saúde pública, entendeu a situação como um massacre.

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“Acredito que o massacre que vimos não deve ser uma ocasião desperdiçada para repensar seriamente esse sistema de prestação de cuidados e assistência”, afirmou Guerra na semana passada.

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Uma das denúncias é que a região da Lombardia, no dia 8 de março, autorizou a transferência de hospitais para asilos de infectados que precisavam de cuidados ou que não tinham condições de fazer o isolamento social.

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A autorização foi comparada por especialistas como um isqueiro que é aceso no palheiro, por expor o maior grupo de risco da doença – idosos com outras patologias ao novo coronavírus.

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A Lombardia alegou que a liberação das transferências era necessária e que os pacientes com Covid-19 deveriam ter ocupado alas separadas dos idosos que moravam nas estruturas.

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Outro ponto da investigação é se os asilos, que tinham direito a € 150 (R$ 855) por dia para cada paciente recebido, cumpriram essas especificações – e se as autoridades se certificaram de que as estruturas tinham condição de garantir os devidos cuidados.

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As casas de repouso se tornaram epicentros de contaminação em diversos lugares dentro e fora da Europa.

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Uma equipe da London School of Economics está monitorando a situação em casas de repouso, e as primeiras evidências sugerem que o percentual de mortes relacionadas ao coronavírus em asilos varia entre 49% a 64% do total de vítimas na Bélgica, Canadá, França, Irlanda e Noruega.

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De acordo com dados da emissora RVTE, cerca de 13.500 idosos morreram em asilos com sintomas da doença.

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Na semana passada, a polícia dos Estados Unidos encontrou 17 corpos empilhados dentro de uma casa de repouso em Nova Jersey. O marco do início da epidemia foi causado pela difusão em um asilo na área de Seatlle.